Peng Shuai está desaparecida? Veja o que se sabe sobre o caso da tenista que acusou político chinês de abuso sexual

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Após Peng Shuai afirmar através das redes sociais ter sofrido abuso sexual de um famoso político chinês, o caso ganhou contornos cada vez mais misteriosos. A tenista, que está supostamente desaparecida, mobilizou outros atletas em busca do seu paradeiro, enquanto a imprensa estatal da China tenta provar que ela está segura.

Na última quarta-feira, o chefe da Associação de Tênis Feminino (WTA), colocou ainda mais dúvidas sobre a história. Steve Simon afirmou não acreditar um e-mail que recebeu, também divulgado por uma mídia estatal chinesa, em que Peng Shuai negava suas próprias acusações de agressão sexual.

Peng, uma das maiores estrelas do esporte da China, disse nas redes sociais este mês que o ex-vice-premiê chinês Zhang Gaoli a forçou a fazer sexo. Sua postagem foi excluída cerca de meia hora depois e, desde então, ela não foi vista em público ou fez qualquer declaração, alarmando a comunidade mundial do tênis.

No Twitter, a mídia estatal chinesa CGTN divulgou o que disse ser um e-mail que Peng havia enviado ao presidente da WTA, no qual ela disse que a alegação de agressão não era verdade. O Twitter está bloqueado na China.

"A declaração divulgada hoje pela mídia estatal chinesa sobre Peng Shuai apenas levanta minhas preocupações quanto à sua segurança e paradeiro. Tenho dificuldade em acreditar que Peng Shuai realmente escreveu o e-mail que recebemos ou acredita no que está sendo atribuído a ela", disse Steve Simon em um comunicado por escrito.

Pequim ainda não comentou a alegação inicial de Peng e a discussão sobre o assunto foi bloqueada na internet, fortemente censurada da China.

A declaração foi feita no momento em que a China se prepara para sediar as Olimpíadas de Inverno em Pequim, em fevereiro, em meio a pedidos de diversos grupos internacionais por um boicote por causa do histórico do país de desrespeito aos direitos humanos.

— Minha resposta é muito simples. Este não é um assunto de relações exteriores e não estou ciente da situação que você mencionou — disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Zhao Lijian, nesta quinta-feira, quando questionado sobre o paradeiro de Peng e se a China está preocupada que seu caso possa afetar a imagem do país antes das Olimpíadas de Inverno.

A Associação Chinesa de Tênis não respondeu imediatamente a um pedido de posicionamento.

O e-mail que a CGTN atribui a Peng diz: "Não estou desaparecida, nem estou insegura. Estou apenas descansando em casa e está tudo bem".

Além da CGTN, braço de língua inglesa da emissora estatal CCTV, nenhum outro meio de comunicação chinês na manhã desta quinta-feira na Ásia havia relatado a carta.

Um representante de Peng também não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

A WTA, com sede na Flórida, e sua contraparte masculina, a Association of Tennis Professionals (ATP), com sede em Londres, já haviam convocado a China para investigar as alegações de Peng.

Tenistas em atividade e aposentados, como os campeões Naomi Osaka, Novak Djokovic a Billie Jean King, expressaram apoio e preocupação por Peng, com muitas jogadoras do circuito feminino utilizando nas redes sociais a hashtag #WhereIsPengShuai (Onde está Peng Shuai).

“A WTA e o resto do mundo precisam de provas independentes e verificáveis de que ela está segura”, escreveu Simon. "Tentei repetidamente entrar em contato com ela por meio de várias formas de comunicação, sem sucesso."

Peng, de 35 anos, foi a primeira jogadora chinesa a chegar ao topo do ranking mundial quando ficou em primeiro lugar nas duplas em 2014. Ela ganhou títulos em duplas em Wimbledon em 2013 e em Roland Garros em 2014.

Zhang, agora com 75 anos, foi vice-premier entre 2013 e 2018 e serviu no Comitê Permanente do Politburo entre 2012 e 2017.

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