'Pensava: se der errado, desisto': Cacau Protásio conta histórias da sua vida em stand-up

As brincadeiras de criança na Rua Valparaíso, a paixão da mãe pelo pão na chapa de uma padaria no Largo da Segunda-Feira, o início do namoro com o fotógrafo Janderson Pires na quadra do Salgueiro... Estas e outras lembranças de Cacau Protásio na Tijuca viraram piadas no primeiro stand-up da comediante, “100% Cacau”, em cartaz no Teatro Miguel Falabella, no NorteShopping, até o dia 28 de agosto.

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No espetáculo, a atriz ainda faz uma viagem no tempo para recordar os momentos da infância passados no Méier, mais precisamente na casa da “tia Cirene”. As histórias da Rua Dias da Cruz e vizinhança estão presentes no espetáculo pelas experiências pessoais e também pelas profissionais. No humorístico “Vai que cola”, exibido no Multishow e na Globo, a artista é Terezinha, uma animada moradora do bairro habitado por uma gente que “não bobeia”.

Seja no palco ou nas telas, fazer rir, inclusive de si mesma, é uma especialidade da atriz. Mas que fique claro: ela também sabe falar sério. Às vésperas do Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado na próxima segunda-feira, a humorista e também orgulhosa proprietária de uma marca de roupas de tamanhos grandes, afirma: “Nenhum racista vai me parar”.

Aos 47 anos de idade e 20 de carreira, Cacau (pasmem!) descobriu há pouco tempo que é divertida.

— Eu nem sei o que estou fazendo em um stand-up porque não me acho uma pessoa engraçada, mas me fizeram acreditar que sou. O Maurício Manfrini (comediante, intérprete do personagem Paulinho Gogó e parceiro da atriz no filme “Os farofeiros 2”) me incentivou muito; vivia dizendo que eu fazia todo mundo rir contando a minha vida. Aos poucos, fui amadurecendo a ideia de estar sozinha diante de uma plateia. Pensava: se der errado, desisto. Se der certo, continuo. Está dando certo! Na semana passada, umas pessoas foram assistir ao “100% Cacau” na sexta-feira e voltaram no domingo. Então, é porque sou engraçadinha, né? — diverte-se.

Em cena, Cacau arranca gargalhadas do público até ao abordar passagens que, pelo menos oficialmente, deveriam ser tristes.

— Conto a história de um enterro hilário que eu fui; de traumas, de coisas ruins que transformei em motivos para rir. Um dos momentos mais engraçados narrados no espetáculo eu vivi ao lado da minha mãe, Nivalda, em Nova York. Ela queria porque queria comer lá um pão na chapa igual ao da Padaria Santa Rita, no Largo da Segunda-Feira, que é maravilhosa e pertinho da casa dela. Não conseguiu, claro! Eu mantenho um apartamento na Tijuca, que não alugo, nem vendo. Sou uma tijucana raiz. Meu umbigo, minha alma estão no bairro onde eu continuo fazendo tudo, compras, cabelo... Mas após me casar com o Janderson fui morar na Barra, que, aliás, é da Tijuca — observa, soltando, em seguida, uma gargalhada.

A união de dez anos com Pires começou em meio à bateria do Salgueiro, escola de coração da Cacau.

— Conheci o meu marido posando para ele, que estava fazendo as fotos de divulgação da peça “Domésticas”. De repente, todo mundo combinou de ir para a quadra do Salgueiro. No fim das contas, só eu e ele fomos. Ficamos juntos pela primeira vez lá e nunca mais nos separamos. Ele me apoia em tudo, faz as fotos dos meus trabalhos e da minha grife, a MS Cacau, que é um projeto meu para enaltecer a beleza da mulher gorda. Eu sou gorda, a balança não me define — frisa.

O racismo também é combatido por Cacau com veemência. Em 2019, a atriz foi vítima de ofensas enquanto rodava o filme “Juntos e enrolados” no interior de um quartel do Corpo de Bombeiros, no Rio.

— Diariamente e, em especial, no Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, temos que lembrar para os racistas que o nosso lugar é onde quisermos. Sou uma mulher preta com muito orgulho. Os racistas não vão nos dizer o que podemos fazer ou onde podemos chegar — ressalta.

E em qual lugar a atriz e comediante quer chegar?

— Por ora, quero levar o meu stand-up para muitos teatros, muitos estados. Com a maior humildade, tenho consciência de que sou capaz de atuar, escrever, empreender, amar; enfim, posso ser quem eu quiser. Só Deus pode me parar! — conclui.

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