'Pensei que ela tinha infartado. Só no hospital ficamos sabendo', diz sobrinha de idosa morta em São Gonçalo

Rafael Nascimento de Souza
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Cemitério São Miguel, em São Gonçalo: idosa foi sepultada nesta segunda-feira

RIO — Foi enterrada na tarde desta segunda-feira a aposentada Lisete Pereira, de 78 anos, atingida por uma bala perdida na manhã deste domingo no bairro Arsenal, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Cerca de 60 pessoas acompanham o sepultamento que aconteceu no Cemitério de São Miguel. Muito abalado, um dos irmãos da aposentada criticou a falta de segurança no estado.

— A gente sabe que isso vai continuar. O Rio está uma vergonha, sempre tem inocente morrendo e o governador não faz nada. A minha irmã não foi a única e não será a última. Hoje a gente não pode mais viver na rua e em casa também não. O Rio está entregue às baratas e a quem quiser, menos às pessoas de bem — disse o aposentado Romildo Pereira, de 75 anos.

Perguntado se há policiamento na região, o homem respondeu:

— Se tivesse policiamento não teria acontecido isso com a minha irmã. O que fica agora é tristeza. Ninguém gostaria de perder um parente logo no começo do ano, não foi isso o que desejamos. Ninguém deseja um 2020 de morte, mas a minha irmã morreu.

Segundo Andréia Oliveira Pessanha, sobrinha da idosa, no momento em que Lisete foi alvejada havia uma intensa troca de tiros na região.

— Antes eu ouvi muito tiro, eles deram muitos tiros, mas até aí eu não sabia que ela tinha sido baleada. As pessoas que passaram na rua ouviram ela gritando e pedindo socorro e me chamaram. Quando eu cheguei ela estava caída e pensei que ela tinha infando. Só depois no hospital que ficamos sabendo — lembrou a dona de casa.

— Foi muito triste porque eu que socorri ela. Quando colocamos minha tia no carro ela deu o último suspiro como tivesse agradecendo por socorrê-la. Infelizmente eu não consegui salvá-la. A socorremos como se ela tivesse tido um infarto. Não sei de onde o tiro partiu, não sabemos de qual direção veio. Só no hospital nos disseram que ela havia sido baleada — completou Andréia.

Segundo o porteiro Luciano Menezes, 42, genro da mulher, ela estaria sentada e assistindo TV na sala da casa onde eles moravam quando a aposentada se assustou com um barulho no quintal e foi verificar.

— Ela estava em casa sentada e vendo televisão, eu não sei se ela escutou algum barulho de tiro, e o como o meu filho tinha acabado de sair — ela era muito apegado com ele — pegou e foi ver o que estava acontecendo. Nisto, ela foi baleada. A minha sogra não estava varrendo o quintal, ela estava dentro de casa vendo TV — salientou o homem.

De acordo com Luciano, mesmo aposentada e com 78 anos, dona Lisete ainda fazia faxinas em casas de família.

— Mesmo já de idade ela fazia limpeza para algumas clientes, isso era para ajudar na renda. Ela sempre ajudou todo mundo — disse.

Morador do Arsenal, o porteiro diz que é comum eles escutarem barulhos de tiros.

— Na casa onde moramos é comum ver tiroteio. As vezes escutamos tiros. Não tem o que dizer. Vai ficar uma dor muito grande. É uma situação que vivemos, de violência, pois todo dia é assim. Onde vamos parar? — concluiu.