Pentágono alerta que retirada de Cabul enfrenta alto risco de novos ataques

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O Pentágono alertou nesta sexta-feira (27) para "ameaças reais" de novos ataques à missão de evacuação do Afeganistão, um dia depois que um suicida e possíveis cúmplices armados mataram dezenas de pessoas no portão do aeroporto de Cabul.

O general Hank Taylor disse que os voos para retirar estrangeiros e afegãos do Afeganistão continuaram em um ritmo acelerado após o ataque de quinta-feira, reivindicado pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

Taylor, vice-diretor de operações regionais do Estado-Maior Conjunto, disse que apenas um homem-bomba, e não dois como relatado inicialmente, executou o ataque, que matou pelo menos 85 pessoas, incluindo 13 militares dos Estados Unidos.

"Não acreditamos que tenha ocorrido uma segunda explosão no hotel Baron ou próximo a ele, foi apenas um suicida", disse ele em entrevista coletiva.

O Pentágono inicialmente disse acreditar que houve uma segunda explosão no hotel, localizado a cerca de 200 metros da porta de entrada principal do Aeroporto Internacional Hamid Karzai.

O porta-voz do Departamento de Defesa dos EUA, John Kirby, disse que a operação em Cabul continua, apesar de relatórios de inteligência sugerirem que o EI-Khorasan, o braço afegão do Estado Islâmico, pretende lançar mais ataques.

"Ainda acreditamos que existem ameaças reais... Ameaças específicas e possíveis", disse Kirby.

"Estamos certamente preparados e esperamos futuras tentativas, com certeza."

"Estamos monitorando essas ameaças muito, muito especificamente, virtualmente em tempo real."

Relatórios iniciais do ataque de quinta-feira indicaram que havia dois homens-bomba, um no Abbey Gate do aeroporto e outro no Baron Hotel, que havia sido usado por alguns países para organizar grupos para evacuação.

- "Fogo direto" -

No entanto, Taylor disse que a investigação concluiu que apenas um agressor detonou seus explosivos perto do Abbey Gate, onde milhares de afegãos se aglomeravam na esperança de que os soldados americanos permitissem sua entrada no aeroporto.

A grande explosão foi seguida pelo "fogo direto" de um ou mais indivíduos armados, cujos detalhes ainda são desconhecidos.

Também não ficou claro como os 13 militares americanos, parte dos mais de 5.000 que dirigem o aeroporto e controlam sua segurança, morreram.

Uma investigação sobre o incidente está em andamento, disse Kirby.

Autoridades do Pentágono disseram que as forças americanas continuam a negociar a evacuação com o Talibã, a insurgência contra a qual os Estados Unidos lutaram por duas décadas, e que recuperou o poder em Cabul em 15 de agosto, após derrubar o governo afegão apoiado por Washington.

Taylor disse que cerca de 111.000 pessoas foram evacuadas por via aérea desde 14 de agosto, das quais 12.500 nas 24 horas anteriores, em 89 voos da coalizão americana e internacional de apoio à ocupação.

Segundo a agência, mais 5.400 pessoas estavam no aeroporto nesta sexta-feira, esperando para serem evacuadas.

Outros países disseram que encerrariam seus voos de evacuação na quinta e na sexta-feira, já que as forças dos EUA começam a planejar a retirada de tropas e equipamentos antes do prazo estabelecido para terça-feira, 31 de agosto.

Kirby disse que, enquanto habilitados para evacuação chegarem ao aeroporto, a operação continuará.

"Poderemos levar os desabrigados até o último momento, esse será o objetivo", disse ele.

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