Pentágono investiga operações de guerra psicológica após descoberta de contas falsas

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos abriu uma investigação interna sobre suas operações de guerra psicológica, após a descoberta de contas falsas nas redes sociais que promovem desinformação pró-Ocidente, confirmou nesta terça-feira seu porta-voz, general Pat Ryder.

"O departamento solicitou uma investigação sobre nossas atividades militares de apoio à informação", reconheceu o porta-voz em entrevista coletiva, confirmando informações divulgadas pelo "Washington Post".

O jornal americano citou um estudo feito pela Universidade de Stanford e a empresa de análise de redes sociais Graphika que relata uma centena de contas de origem desconhecida no Facebook, Twitter e Instagram que divulgaram propaganda contra Rússia, China e Irã entre 2017 e 2022. Citando uma fonte do governo, o Washington Post afirmou que essas contas foram criadas por unidades especiais das Forças Armadas americanas.

O porta-voz do Pentágono garantiu que as atividades de guerra psicológica do Exército foram supervisionadas e legais. "Estabelecemos salvaguardas sobre como gerir as nossas operações", assinalou, em entrevista coletiva. A investigação representa "apenas uma oportunidade de avaliar nosso trabalho nessa área."

Ao ser consultado sobre a natureza das operações de guerra psicológica do Exército americano, o general Ryder reconheceu que as mesmas poderiam incluir "informações não verídicas": "É possível realizar operações contra adversários usando informações de forma que os ajudem a pensar de uma determinada forma."

"Estamos conduzindo essas operações em apoio aos nossos objetivos de segurança nacional. É um aspecto da guerra tão antigo quanto a própria guerra", acrescentou Ryder, citando em particular as operações realizadas pelos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial para enganar o comando alemão sobre o local de desembarque.

O general Ryder observou que a relação entre essas contas falsas e o Departamento de Defesa não havia sido claramente estabelecida, sugerindo que as mesmas poderiam estar vinculadas a outras agências governamentais, sem citar nenhuma.

As atividades descobertas nas redes sociais americanas eram clandestinas, mas nem o Facebook nem o Twitter atribuíram as contas falsas a nenhuma agência do governo, segundo o estudo publicado pela universidade.

O Twitter simplesmente mencionou Estados Unidos e Grã-Bretanha como  "supostos países de origem", enquanto a Meta, controladora do Facebook e do Instagram, nomeou os Estados Unidos como país de origem.

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