Pentágono parabeniza NYT por Pulitzer sobre vítimas do exército americano

(Arquivo) Afegãos carregam corpo após ataque aéreo em setembro de 2019 que teria matado 40 civis em festa de casamento (AFP/NOOR MOHAMMAD) (NOOR MOHAMMAD)

O porta-voz do Pentágono, John Kirby, parabenizou, nesta terça-feira (10), o jornal The New York Times pelo prêmio Pulitzer atribuído a suas investigações "incômodas", mas necessárias, sobre os civis mortos em ataques americanos no mundo.

A publicação obteve ontem o Pulitzer "internacional" por uma série de artigos publicados no fim de 2021 sobre a dramática cifra oficial de civis mortos por ataques americanos em Iraque, Afeganistão e Síria.

O New York Times foi o primeiro a qualificar de erro um ataque com drone que matou dez civis, entre eles sete crianças, em Cabul, no fim de agosto, no momento em que ocorria a retirada caótica de tropas americanas do aeroporto da capital afegã.

"Esta cobertura midiática não era agradável, não era fácil e não era simples respondê-la naquela época, e ainda não é", declarou Kirby, que também fez uma autocrítica.

"Sabemos que temos que evoluir para evitar" que haja "vítimas civis", acrescentou. "Sabemos que cometemos erros [...] E sabemos que nem sempre fomos tão transparentes como deveríamos", frisou.

"Contudo, suas investigações reforçaram essas inquietações e, em alguns casos, nos causaram outras", afirmou. "Isto nos obrigou a fazer preguntas novas e difíceis a nós mesmos, e nos forçou a responder às suas perguntas difíceis".

"Eu não diria que esse processo foi agradável, mas acho que esse é o ponto: não deveria ser agradável. É o que uma imprensa livre faz em seu nível mais alto", concluiu. "Nos faz prestar contas, nos faz refletir ao mesmo tempo em que nos informa, nos faz mudar de opinião e nos ajuda a fazer melhor o nosso trabalho".

Kirby também aproveitou para denunciar a indiferença do governo russo sobre as vítimas civis de seus bombardeios na Ucrânia.

O tema das vítimas civis é "uma coisa que levamos muito a sério [...], ao contrário da Rússia, ao contrário da violência e da destruição letais que [Moscou] impõe ao povo ucraniano, sem cautela, sem admitir", disse.

"Sem investigações, sem transparência, sem sequer um esforço para evitar as vítimas civis, sem levar em conta os crimes de guerra cometidos por seus soldados no terreno", frisou.

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