Pentágono prevê que Rússia conquistará mais território, mas sem controlar Leste da Ucrânia

Quando a Rússia mudou sua campanha militar para se concentrar no Leste da Ucrânia, altos funcionários do governo Biden disseram que as quatro a seis semanas seguintes determinariam o caminho final da guerra.

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Esse tempo passou e as autoridades dizem que o quadro está cada vez mais claro: é provável que a Rússia acabe com mais território, disseram eles, mas nenhum dos lados ganhará o controle total do Leste ucraniano, pois um Exército russo esgotado enfrenta um oponente armado com armas cada vez mais sofisticadas.

Embora a Rússia tenha conquistado território na região mais oriental da região de Luhansk, uma das duas províncias russófonas do Leste, seu progresso tem sido lento. Enquanto isso, a chegada de sistemas de artilharia de longo alcance dos EUA e ucranianos treinados sobre como usá-los devem ajudar a Ucrânia nas batalhas que estão por vir, disse o general Mark Milley, chefe do Estado-Maior Conjunto.

— Se eles o usarem corretamente, terão efeitos muito, muito bons no campo de batalha — disse Milley a repórteres.

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Autoridades do Pentágono disseram que isso significa que a Rússia pode não ser capaz de obter ganhos semelhantes na vizinha Donetsk, que junto com Luhansk forma a região rica em minerais de Donbass. Tropas ucranianas lutam contra separatistas apoiados pela Rússia em Donbass desde 2014, quando Moscou anexou a Crimeia.

Após semanas de batalhas sangrentas no Leste — com até 200 soldados ucranianos mortos diariamente, segundo estimativa do próprio governo, e um número semelhante ou maior entre as tropas russas, segundo estimativas ocidentais — a Rússia detém aproximadamente a mesma quantidade de território em Donetsk que os separatistas controlavam em fevereiro, antes da invasão.

Mas as autoridades dos EUA dizem que esperam que a Rússia tome em breve toda a região de Luhansk. Uma autoridade da defesa disse que as cidades gêmeas de Sievierodonetsk e Lysychansk cairão em dias, enquanto as forças russas atacam com artilharia pesada e “bombas burras” — munições não guiadas que infligem muitas baixas.

De acordo com relatos no fim de semana, as forças russas invadiram a linha de frente ucraniana em Toshkivka, uma cidade nos arredores de Sievierodonetsk e Lysychansk. A tomada de Toshkivka colocaria os russos mais perto de ameaçar as linhas de abastecimento ucranianas para as duas cidades, os últimos grandes centros populacionais em Luhansk que não caíram nas mãos da Rússia.

As tropas terrestres russas avançam lentamente, em alguns casos levando semanas para se mover dois ou três quilômetros, disseram autoridades dos EUA. Isso pode sinalizar a falta de soldados de infantaria ou cautela extra por Moscou depois de enfrentar problemas na linha de suprimentos em suas primeiras semanas da guerra.

Vários analistas militares dizem que a Rússia está no auge da eficácia de combate no Leste, já que os sistemas de artilharia de longo alcance prometidos à Ucrânia pelos países da Otan ainda estão chegando. A Ucrânia está em extrema desvantagem, dizem eles, um fato gritante que o presidente Volodymyr Zelensky reconheceu na semana passada.

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— O preço desta batalha para nós é muito alto — disse Zelensky em um discurso noturno. — É simplesmente assustador. E chamamos a atenção de nossos parceiros diariamente para o fato de que apenas artilharia moderna suficiente para a Ucrânia garantirá nossa vantagem e, finalmente, o fim da tortura russa em Donbass.

O presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou na semana passada um adicional de US$ 1 bilhão em armas e ajuda para a Ucrânia, em um pacote que inclui mais artilharia de longo alcance, lançadores de mísseis antinavio e munições para obuses e para o novo sistema de foguetes dos EUA. No geral, os Estados Unidos comprometeram cerca de US$ 5,6 bilhões em assistência de segurança à Ucrânia desde que a Rússia a invadiu, em 24 de fevereiro.

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Autoridades do Pentágono esperam que a chegada de mais sistemas de artilharia de longo alcance mude o campo de batalha em Donetsk, se não em Luhansk. Frederick B. Hodges, um ex-comandante do Exército dos EUA na Europa que agora está no Centro de Análise de Políticas Europeias, disse que a guerra provavelmente durará muitos meses. Mas ele previu que as forças da Ucrânia — reforçadas por artilharia pesada do Ocidente — retardariam o avanço da Rússia e começariam a reverter seus ganhos nos próximos meses.

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— A guerra é um teste de vontade, e os ucranianos têm uma vontade superior — disse Hodges. — Vejo a situação logística ucraniana melhorando a cada semana, enquanto a situação logística russa vai lentamente degradar.

As Forças Armadas da Rússia são construídas para campanhas curtas e de alta intensidade, definidas por um uso pesado de artilharia, disseram analistas militares. Não estão preparadas para uma ocupação sustentada ou para o tipo de guerra de desgaste em andamento no Leste da Ucrânia, que exige a troca de forças terrestres desgastadas.

— Este é um período crítico para ambos os lados — disse Michael Kofman, diretor de estudos russos do CNA, um instituto de pesquisa em Arlington, Virgínia. — Provavelmente nos próximos dois meses, ambas as forças estarão esgotadas. A Ucrânia tem um déficit de equipamentos e munições. A Rússia já perdeu muito de seu poder de combate e sua força não é adequada para uma guerra terrestre sustentada dessa escala e duração.

A Rússia tentará continuar obtendo ganhos territoriais quilômetro por quilômetro e, em seguida, provavelmente fortalecerá suas linhas de frente com minas e outras defesas contra um contra-ataque ucraniano, esperado após a chegada dos sistemas de artilharia de longo alcance ao campo de batalha, disseram analistas.

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Analistas e ex-comandantes dos EUA expuseram previsões diferentes sobre o desenrolar da guerra. Fraquezas na posição dos militares ucranianos estão começando a aparecer — e estão semeando preocupação. Enquanto alguns analistas independentes previram que o avanço russo será interrompido em Sievierodonetsk, especialistas do governo dos EUA não têm tanta certeza. Alguns dizem acreditar que o avanço russo pode continuar e que em breve os russos poderão fazer mais progressos em áreas onde os contra-ataques ucranianos foram bem-sucedidos.

As táticas que a Rússia está usando, de acordo com autoridades atuais e antigas, estão tendo um efeito devastador no Leste da Ucrânia, causando tanta destruição que Zelensky disse que as tropas estão lutando por “cidades mortas” de onde a maioria dos civis fugiu. Outros analistas preveem um vai-e-vem que pode se estender por meses ou até anos.

— Isso provavelmente continuará, com cada lado negociando território nas margens — disse Kofman. — Será uma situação dinâmica. É improvável que haja colapsos significativos ou grandes rendições.

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