Penta em 2002, Júnior afirma que hoje seria titular da seleção

João Pedro Restani
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Júnior contra a Costa Rica pela Copa do Mundo de 2002. Foto: Clive Brunskill/Getty Images
Júnior contra a Costa Rica pela Copa do Mundo de 2002. Foto: Clive Brunskill/Getty Images

Duas Libertadores, um Mundial de Clubes, três Campeonatos Brasileiros e uma Copa do Brasil. Pode parecer um clube gigantesco, mas não, esses são alguns dos títulos do ex-lateral Júnior, ídolo de Palmeiras e São Paulo, que tem também três estaduais, uma Coppa Italia e a principal conquista da sua vida, uma Copa do Mundo. Júnior além das passagens pelos rivais paulistas, jogou no Vitória (clube pelo qual foi revelado), Parma, Siena, Atlético Mineiro e Goiás, por onde se aposentou no final de 2010 aos 38 anos.

O pentacampeão em 2002 teve participação no último jogo da fase de grupos daquela Copa do Mundo contra a seleção costa-riquenha e foi fundamental para a vitória brasileira, dando duas assistências e fazendo até gol. Seria ele superior ao Roberto Carlos em algum aspecto ou titular na seleção brasileira hoje? Ele falou sobre esses e outras temas em entrevista exclusiva ao Yahoo Brasil.

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Yahoo Brasil: Como foi a sua reação quando foi pro hotel depois do jogo contra a Costa Rica em 2002 e percebeu que além de ter disputado uma partida de Copa deu duas assistências e fez um gol? É o gol mais importante da sua vida?

Júnior: A minha reação foi de muita euforia, muita alegria, até porque não é todo dia que você faz um gol vestindo a camisa da seleção brasileira numa Copa do Mundo, então a alegria foi plena quando nós chegamos no hotel. E o gol se torna o mais importante, porque eu não tive tantos jogos na seleção, então acho que se torna o gol mais importante da minha carreira.

Y: Qual o melhor jogador que você teve que marcar na carreira e por quê?

J: Sem dúvidas nenhuma o Edílson Capetinha, você nunca sabia o que ele ia fazer. Ele cortava pra direita, cortava pra esquerda, tinha muita velocidade. Então Edílson Capetinha é o jogador mais difícil que eu marquei durante toda a minha carreira.

Y: Qual o melhor jogador que você jogou junto na seleção e o melhor que jogou em clubes? Por quê?

J: Eu tive o prazer e a honra de jogar com alguns jogadores maravilhosos na seleção, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Cafu, Roberto Carlos, mas como tenho que escolher um, eu vou escolher o Ronaldo Fenômeno. E o jogador em clubes, eu também joguei com alguns, joguei com Djalminha, Rivaldo, mas eu vou escolher um que eu tive mais sequência, tivemos mais temporadas juntos, que é o Alex, um jogador completo, perna direita, perna esquerda, batia faltas. Então em clubes o jogador mais completo que eu joguei, com mais recurso e habilidade, foi o Alex.

Y: Sem contar a seleção, qual o melhor time que você jogou, o Palmeiras de 1996, o de 1999, o São Paulo de 2005 ou outro? O que esse time tinha de diferente em relação aos demais que também foram grandes times?

J: Sobre o melhor time que eu joguei, eu vou escolher o Palmeiras de 1996. A diferença entre 96, 99 e 2005, é que o time de 96 do Palmeiras é tecnicamente bem superior, nós tínhamos Djalminha, Cafu, Rivaldo, Müller, Luizão, Velloso, Flávio Conceição. Por isso o Palmeiras de 96 é o melhor time que joguei.

Y: Como você avalia a disputa por vaga na lateral-esquerda da seleção para a próxima Copa? Acha que no seu auge, teria vaga nesse time? Como titular ou reserva?

J: A disputa hoje pela lateral-esquerda eu não vejo tanta briga, eu vejo hoje um só jogador, que é o Renan Lodi, do Atlético de Madrid. E com certeza hoje eu teria grandes chances de estar na seleção e de jogar de titular, com certeza hoje eu me veria como titular da seleção brasileira.

Y: Considerando o tempo de passagem no clube, os títulos conquistados, a importância na conquista dos títulos e a bola jogada, quem jogou mais no Palmeiras: Júnior ou Roberto Carlos? Por quê?

J: Eu vou considerar o tempo que eu fiquei no Palmeiras, acho que fiquei mais tempo que o Roberto Carlos, em termos de títulos eu acho que também ganhei um pouco mais que o Roberto Carlos, mas isso não quer dizer que fui melhor que ele, estamos falando de período de casa e de títulos! Eu acho nesse aspecto, de títulos e de tempo, que fui mais importante que o Roberto Carlos no Palmeiras.

Júnior, Palmeiras, em ação contra o River Plate na semifinal da Libertadores 1999. Foto: Matthew Ashton/EMPICS via Getty Images
Júnior, Palmeiras, em ação contra o River Plate na semifinal da Libertadores 1999. Foto: Matthew Ashton/EMPICS via Getty Images

Y: Você acha que desde a sua saída o São Paulo não teve mais laterais-esquerdos à altura da grandeza do clube?

J: O clube foi sempre formador de grandes laterais-esquerdos, como Fábio Aurélio, Gustavo Nery, Leonardo, Fábio Santos, Serginho que fez história no clube. Depois da minha saída, realmente o São Paulo demorou um pouco pra acertar nessa posição, até retornar o Reinaldo, que pra mim, está representando depois da sua saída para Ponte Preta e Chapecoense. O Reinaldo realmente voltou ao São Paulo em alto nível.