Peões de "Pantanal" combatem ideal tóxico de masculinidade: "Brasil profundo"

O elenco masculino de
O elenco masculino de "Pantanal" (Reprodução Globo)

Os atores de "Pantanal" participaram de um ensaio da revista "GQ" e falaram sobre como o roteiro da novela procurou fugir de exemplos tóxicos de masculinidade para falar sobre uma realidade mais multifacetada. Na trama, temas como homofobia, política e misoginia já foram abordados pelos personagens.

"Eu acho que esse Brasil profundo, né, que a gente fala, desses homens simples, né, do campo, dessa generosidade. É uma visão mais ampla do que é ser homem", explicou Marcos Palmeira, que interpreta o fazendeiro José Leôncio. "Além de chamar muito a atenção das mulheres, os homens do Pantanal também intrigam os outros homens. Com valores de coragem, de companheirismo, de rivalidade. Tem um monte de assunto para discutir ali", completou Daniel Bergamasco, diretor da "GQ".

Silvero Pereira, que interpreta o peão Zaquieu, explicou que a trama tenta mostrar histórias de homens muito diferentes unidos pela circunstância. "Essa é uma foto icônica, mesmo, vai ficar marcada pra história. Todos esses peões juntos, esses artistas de lugares diferentes, né, desse Brasilzão, e ali juntinhos".

José Leôncio e Marcos Palmeira

Intérprete de José Leôncio em "Pantanal", Marcos Palmeira precisou mudar de postura ao encarnar o fazendeiro no remake da novela. Na versão original de "Pantanal" de 1990, o ator interpretou Tadeu (hoje personagem de José Loreto), e teve que aceitar sua maturidade para conseguir de fato entender o patriarca.

"Eu me toquei que estava lendo o texto da novela como se ainda fosse o Tadeu e tivesse 27 anos. Daqui a pouco, vou fazer 60 anos! Nem parei para pensar nisso ainda. A gente não se sente assim, né? Se não olha no espelho, ninguém se sente velho. Às vezes, estou com questões que não sei como resolver e o personagem aparece com a solução. Zé Leôncio fez eu me ver como um homem maduro", explicou, em entrevista ao jornal "O Globo".

Para o ator, envelhecer é uma jornada de autoconhecimento. "O bom de envelhecer é que você tem mais chances para se tornar uma pessoa melhor com você mesmo. Sempre fui um ator dedicado, mas na juventude há uma dispersão natural. Hoje, estou mais focado, tenho uma compreensão melhor a meu respeito. E sem nenhuma crise. Não virei o intelectual que minha família queria, mas hoje brinco que estou lendo mais do que eles".

Na entrevista, Marcos também falou sobre seu relacionamento com a filha Julia, de seu relacionamento com Amora Mautner. "Como pai, a gente sempre fica querendo moldar, somos muito críticos com as coisas que incomodam. Mas estou atento a ela, vou só podando os exageros, porque tem coisas que uma criança de 14 anos não sabe".