Pequenos municípios de São Paulo podem sofrer com falta de oxigênio, alerta secretário

Dimitrius Dantas
·2 minuto de leitura
  • Aumento acelerado dos casos pode causar problema logístico na distribuição do insumo no estado

  • Possível problema pode afetar principalmente municípios com até 10 mil habitantes

  • Segundo secretário, gabinete de crise atua para evitar colapso na assistência aos paulistas

O secretário da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, alertou nesta quinta-feira para a possibilidade de que pequenos municípios do estado de São Paulo fiquem sem oxigênio para atendimento de pacientes com Covid-19. Segundo ele, com o aumento acelerado de novos casos, o estado pode enfrentar um problema logístico na distribuição de cilindros de oxigênio.

O problema, afirmou, pode afetar principalmente municípios de pequeno porte, com até 10 mil habitantes. Essas cidades possuem pequenas unidades de atendimento e não têm tanques para fornecimento e armazenamento de oxigênio.

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— O que precisamos fazer nesses municípios. Precisamos distribuir cilindros de oxigênio. Alguns desses municípios estão muito distantes de alguns centros, 200, 300 km. À medida em que eu tiver uma solicitação muito grande, um caminhão vai, deixa cilindros, mas quando ele volta o cilindro já acabou e ele precisa voltar novamente. O problema é logístico — afirmou.

Segundo Gorinchteyn, toda a rede estadual tem um fornecimento garantido pelos seis grandes distribuidores de oxigênio, mas o gabinete de crise na Secretaria de Saúde já criou estruturas para evitar um colapso na assistência da população.

— Estamos atentos e vamos acolher nas nossas unidades, mas os secretários municipais, localmente, tem que estar se antecipando a esse problema. Não podemos assistir o que foi visto em Manaus — disse o secretário.

Falta de respiradores também pode ser problema

De acordo com a Fiocruz, Brasil vive pior colapso da história no sistema de saúde - Foto: AP Photo/Andre Penner
De acordo com a Fiocruz, Brasil vive pior colapso da história no sistema de saúde - Foto: AP Photo/Andre Penner

Em entrevista concedida ao lado do prefeito Bruno Covas, Gorinchteyn destacou que os problemas não estão restritos ao oxigênio, mas também a equipamentos, como respiradores.

— Se continuarmos tendo uma velocidade de instalação de casos, nós vamos estourar o limite. 63 municípios do estado, quase 10% de todos as cidades de São Paulo, já atingiram seu limite. Precisamos que a população nos ajude a ajudá-la — afirmou Jean Gorinctheyn.

Na mesma entrevista, após a morte do primeiro paciente que não conseguiu atendimento de UTI na cidade de São Paulo, o prefeito da capital paulista, Bruno Covas, anunciou a criação de um feriado prolongado que irá durar do próximo dia 26 até o dia 4 de abril. Segundo a Prefeitura, no momento, há 475 pessoas aguardando uma vaga de UTI na cidade.

A medida será realizada com a antecipação de cinco feriados: dois deste ano (Corpus Christi e Dia da Consciência Negra) e três do ano que vem(o aniversário da cidade, Corpus Christi e o Dia da Consciência Negra). No ano passado, a Prefeitura já adotou medida similar para conter o avanço do coronavírus. Nos últimos dias, a cidade ultrapassou 90% de ocupação dos leitos de UTI.