Pequim amplia testes de covid a mais bairros e amenta o temor de confinamento

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Teste de covid em Pequim (AFP/Noel Celis) (Noel Celis)

Pequim iniciou nesta terça-feira (26) testes em massa de coronavírus para quase todos os 21 milhões de moradores da cidade, ao mesmo tempo que aumentam os temores de que a capital da China adotará um duro confinamento como Xangai.

Enquanto Xangai luta contra um surto de covid-19 que provocou mais 52 mortes nesta terça-feira, as autoridades de Pequim ordenaram que os habitantes dos 12 distritos centrais da capital sejam submetidos a três etapas de exames PCR após a detecção de dezenas de casos na cidade.

O distrito mais populoso da capital, Chaoyang, foi o primeiro a implementar os testes em larga escala, na segunda-feira, o que provocou filas imensas.

Outros 11 distritos, que representam quase toda a população restante de Pequim, iniciaram nesta terça-feira os exames com os moradores.

A triagem em massa decretada em Chaoyang provocou cenas de pânico desde domingo nos supermercados, com moradores enchendo carrinhos de alimentos, enquanto a imprensa estatal insistia que os estoques eram suficientes.

Os moradores de Pequim declararam à AFP que temem um confinamento repentino como o decretado em Xangai, onde muitas pessoas reclamam que não conseguem obter alimentos ou acesso a tratamento médico.

O secretário de Saúde municipal, Xu Hejian, declarou na segunda-feira que a propagação do vírus em Pequim estava "dentro da margem de controle".

- Pressão econômica -

A capital chinesa registrou 33 novos casos na terça-feira, muito longe dos mais de 16.000 novos contágios de Xangai.

Mas as autoridades de Pequim querem evitar um surto fora do controle e pediram às empresas que permitam o teletrabalho, fecharam zonas residenciais com casos confirmados e suspenderam as excursões de turismo em grupo antes do feriado de 1º de maio.

Além disso, as autoridades pediram aos moradores da capital que não deixem a cidade durante o feriado, exceto em caso de necessidade.

As medidas em Pequim, no entanto, são tímidas em comparação com as ações em outros lugares, afirmou o economista-chefe da Pinpoint Asset Management, Zhiwei Zhang.

"Estou surpreso com o fato de o governo não ter adotado políticas restritivas em Pequim de maneira tão severa e rápida como em outras cidades que passaram por focos similares em semanas recentes", afirmou em um comunicado.

Com a política 'covid zero', a China adota confinamentos rígidos, testes em massa e severas restrições de viagens para tentar eliminar todas as infecções.

Mas as autoridades enfrentam cada vez mais dificuldades pelo impacto dos protocolos na economia e moral das empresas, especialmente quando os surtos da doença acontecem nas cidades mais importantes do país.

A preocupação é mundial devido ao temor de que a política anticovid da China afete a economia global, especialmente as redes de abastecimento.

A cidade de Baotou, na região da Mongólia Interior - grande fornecedora de terras-raras - ordenou na segunda-feira o confinamento de todos os moradores após a detecção de dois casos.

Em Xangai, principal motor econômico do país, o confinamento não parece ter previsão para acabar e continua provocando transtornos aos moradores, que nas redes sociais denunciaram a instalação de grandes cercas metálicas em toda a cidade para manter os habitantes trancados em suas casas.

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