Pequim considera 'imorais' declarações do Eduardo Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro com seu filho Eduardo no palácio da Alvorada em 12 de março

A China chamou nesta sexta-feira de "imorais" as declarações de Eduardo Bolsonaro, que acusou Pequim de esconder informações sobre a pandemia de Covid-19, abrindo uma crise diplomática com o gigante asiático.

"Uma ditadura preferiu esconder algo grave a expor tendo desgaste, mas que salvaria inúmeras vidas. A culpa é da China e liberdade seria a solução", escreveu na quarta-feira no Twitter o filho do presidente Jair Bolsonaro.

Em sua mensagem, ele traçou um paralelo com "a ditadura soviética", que inicialmente ocultou a escala do desastre nuclear de Chernobyl em 1986.

Procurado para reagir, um porta-voz da diplomacia chinesa, Geng Shuang, denunciou os comentários "imorais e irresponsáveis".

"Desde o início da epidemia, a China adotou as medidas de prevenção e de controle mais rigorosas, abrangentes e mais completas de maneira aberta, transparente e responsável", afirmou Geng.

Na quinta-feira, o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, exigiu que Eduardo Bolsonaro "se desculpasse com o povo chinês".

Ele também retuitou uma mensagem de um internauta que descreveu a família Bolsonaro como o "grande veneno do Brasil", de acordo com uma captura de tela feita pela imprensa brasileira, antes que a mensagem pouco diplomática fosse apagada.

Já nesta sexta, o presidente Bolsonaro garantiu que "não há nenhum problema com a China. Zero problema com a China. Se tiver que ligar pro presidente chinês, eu ligo sem problema nenhum".

E o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, se distanciou de Eduardo Bolsonaro, explicando que as declarações do deputado de 35 anos "não refletiam a posição do Brasil".

A China é o primeiro parceiro comercial do Brasil, que exporta para o gigante asiático matérias-primas, em especial minério de ferro, carne e soja.