Tratamentos que 'hackeiam' câncer são novas apostas para cura

Diana Marcela Tinjacá.

Berlim, 7 dez (EFE).- A imuno-oncologia e os tratamentos dirigidos mostraram grandes avanços em 2017, o que deu um novo incentivo aos cientistas na busca da cura do câncer, uma doença com registro de cerca de 14 milhões novos casos por ano, com 9 milhões de mortes.

Esses novos tratamentos, aos quais se dedicaram as grandes companhias farmacêuticas e empresas emergentes de biotecnologia no último ano, se baseiam em uma espécie de "ação hacker" para "reprogramar" as células tumorais e destruí-las de forma seletiva, através da engenharia genética.

"Em 20 anos, passamos pela radiação, pela combinação de fármacos e pela quimioterapia. Agora, nos concentramos em exames genéticos para saber o que faz um tumor se desenvolver e para personalizar os tratamentos", disse à Agência Efe Robert LaCaze, membro da Sociedade Americana para a Pesquisa do Câncer, durante um encontro global de veículos de imprensa organizados pela farmacêutica alemã Bayer, em Berlim.

De acordo com LaCaze, que também é chefe da Unidade de Negócios Estratégicos de Oncologia da empresa alemã, a luta contra o câncer evoluiu para tratamentos dirigidos que permitiram aumentar as taxas de sobrevivência e reduzir em 20% a mortalidade, embora a incidência continue crescendo.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de novos casos de câncer deve aumentar em 70% nos próximos 20 anos devido ao envelhecimento da população, que está associado à "perda de eficiência dos mecanismos de reparação celular".

Com essa projeção, os cientistas buscam fazer com que todos os cânceres - há quase 100 tipos, que afetam cada paciente de maneira diferente - possam ser tratados como uma doença crônica e se concentraram em revisar as mutações que levam à propagação de tumores e a recaídas.

A inovação compreende uma série de plataformas com amplas expectativas entre os cientistas como a sinalização oncogênica, os anticorpos imunoconjugados (ADC, na sigla em inglês) e a imuno-oncologia.

Scott Fields, diretor de Desenvolvimento Farmacêutico em Oncologia da companhia alemã, explicou que um dos campos mais avançados é o da sinalização oncogênica, no qual moléculas pequenas bloqueiam os mecanismos que permitem que as células cancerosas resistam à quimioterapia, se expandam ou sejam reativadas, causando metástases.

Também há avanços na exploração de substâncias nas quais um anticorpo se une a proteínas ou receptores de células tumorais para entrar nelas e destruí-las sem danificar outras células, um tratamento conhecido como anticorpos imunoconjugados (ADC).

Essa categoria, detalhou Fields, deve entrar no ano que vem em fase de desenvolvimento clínico com testes em humanos, e que consiste em um tratamento que utiliza radiação voltada contra um biomarcador denominado PSMA, que se transformou na principal alternativa terapêutica contra o câncer de próstata.

O tratamento que gera mais expectativa, no entanto, é a imunoterapia, que procura estimular as defesas naturais para combater o câncer, freando o crescimento das células cancerosas e impedindo que estas se disseminem para outras partes do corpo, e também busca complementar e melhorar a eficácia dos remédios já existentes.

Este ano, a indústria destinou grandes investimentos a tratamentos genéticos e promoveu alianças estratégicas com empreendimentos biotecnológicos e centros de estudos para impulsionar sua pesquisa.

Por exemplo, a Bayer e o Broad Institute ampliaram um acordo na área da oncogenômica para desenvolver agentes terapêuticos que se dirijam seletivamente às alterações do genoma.

"O futuro do tratamento de doenças como o câncer é definitivamente a genética", disse à Efe o presidente global da divisão Farmacêutica da Bayer, Dieter Weinand.

"Trata-se de uma doença com forte componente genético, esta é a razão pela qual as células anormais se replicam". "A cura e a resposta estão na engenharia genética e no desenvolvimento dessas capacidades para o futuro", acrescentou Weinand.

A OMS estima que 33 milhões de pessoas vivem com câncer na atualidade e 8,8 milhões morrem todos os anos por causa dessa doença. EFE