Pequim tem recorde de infecções por Covid-19 e aperta restrições à circulação

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em meio às discussões sobre flexibilizar ou não a política de Covid zero no país enquanto cidades em diversas partes apresentam repiques de casos da doença, a capital chinesa, Pequim, apertou as restrições para tentar conter uma escalada de casos acelerada neste mês. Nesta terça-feira (22), houve novo recorde de infeções por Covid-19 em 24 horas.

O governo local fechou parques, escolas, restaurantes e outros estabelecimentos com grande circulação pública depois de os casos de coronavírus dispararem --subiram de 621 no domingo (20) para 1.438 nesta terça. Em todo o país foram contabilizados 28.157 infecções, cifra que se aproxima da maior marca diária, registrada em abril.

Os principais focos estão na província de Guangdong e na cidade de Chongqing, com mais de 16 mil e 6.300 novos casos, respectivamente.

Sun Chunlan, vice-premiê que encabeçou a política de Covid zero, visitou a cidade de Chongqing na segunda-feira (21) e instou as autoridades locais a manter as medidas restritivas para tentar controlar o surto, segundo informou o município.

Três idosos moradores de Pequim, que segundo a mídia local tinham comorbidades, morreram da doença no fim de semana --primeiros óbitos pelo vírus desde maio na China. Outras duas mortes foram ligadas à Covid entre segunda e terça-feira.

Embora a capital tenha evitado um confinamento completo, o governou de Pequim colocou diversos edifícios em quarentena e passou a exigir um teste com resultado negativo nas últimas 24 horas, para autorizar a entrada na maioria dos locais públicos.

Polo financeiro global, Xangai anunciou que a partir desta quinta (24) a entrada de recém-chegados em shopping centers e restaurantes será proibida, até que as pessoas estejam há ao menos cinco dias na cidade. O deslocamento para escritórios e utilização do transporte público foi mantido.

A metrópole, de 25 milhões de habitantes, já tinha determinado anteriormente o fechamento de ambientes culturais e de entretenimento em 7 de seus 16 distritos. Guangzhou, no sul do país, determinou nesta segunda-feira um lockdown de cinco dias em Baiyun, seu distrito mais populoso, onde moram 3,7 milhões de pessoas.

A onda de infecções testa a resiliência da China em manter os recém-anunciados ajustes na política de Covid zero. A nova diretriz pede que as cidades sejam mais objetivas nas medidas de restrição e evitem lockdowns ou testes generalizados, que estrangularam a economia e frustraram moradores em diferentes partes --levando a manifestações de contestação ao regime.

Algumas cidades cancelaram os testes em larga escala de Covid-19 na semana passada, mas outras retomaram a medida alegando dificuldades para controlar a transmissão da variante ômicron BA.5.2i --diferente da linhagem que vem provocando aumentos de casos nos EUA, na Europa e no Brasil, a BQ.1. A cidade de Shijiazhuang, no norte, por exemplo, tinha cancelado os exames em larga escala, mas já deu início a um confinamento parcial.

O regime ainda argumenta que a política de Covid zero, uma assinatura do líder da China, Xi Jinping, salva vidas e é necessária para evitar que o sistema de saúde fique sobrecarregado.

Nas redes sociais, porém, usuários da plataforma Weibo manifestaram frustração ao contrastar as rígidas medidas locais ao que tem sido visto na Copa do Mundo no Oriente Médio. "Dezenas de milhares [de torcedores] no Qatar não usam máscaras". E nós ainda estamos em pânico", escreveu um chinês na rede.

Especialistas advertem que a reabertura total requer um esforço de reforço da vacinação em massa. Autoridades da China, por sua vez, dizem que planejam ampliar a capacidade hospitalar e que estão formulando um plano de vacinação.