Perícia detecta pedrinhas em estômago de enteado e sugere chumbinho; madrasta está presa por envenenamento

O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) com a análise do material gástrico do estudante Bruno Carvalho Cabral, de 16 anos, comprovou haver “quatro grânulos esféricos diminutos, de tamanhos variados, de coloração variando entre azul escuro e preto”, o que “pode sugerir a ingestão de um produto comercializado clandestinamente como raticida, popularmente conhecido como chumbinho”. A madrasta do jovem, Cíntia Mariano Dias Cabral, está presa por temporariamente por tentativa de homicídio contra o rapaz, por suspeita de ter envenenado seu feijão com a substância tóxica e o servido durante um almoço, no último dia 15, na casa em que a família morava, em Realengo, na Zona Oeste do Rio

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De acordo com o laudo de exame de pesquisa indeterminada de substância tóxica em amostra biológica, no entanto, utilizando-se a técnica disponível no Serviço de Toxicologia do IML, não foi possível detectar a presença de inseticidas ou outras substâncias tóxicas no material analisado. “Mesmo com a presença de grânulos, um resultado negativo é possível devido a fatores como: tempo decorrido entre a ingestão do produto e a coleta do material para exame, dose utilizada e intervenções hospitalares realizadas, como a gástrica”, atesta o documento, assinado pela perita Aline Machado Pereira.

Assessora técnica da Secretaria de Polícia Civil, a perita Denise Rivera explica que, apesar de terem sido realizados todos os testes possíveis, não se chegou a detecção do chumbinho pelo fato de a substância se deteriorar rapidamente no organismo. Ela explica que os grânulos encontrados no estômago de Bruno, no entanto, são suficientes para atestar se tratarem desse tipo de envenenamento, tanto pelas características, como também pela análise dos sintomas descritos no prontuário médico do rapaz.

— O laudo do IML mostrou a presença de grânulos sugestivos de chumbinho e o prontuário médico do enteado atestou o relato diversos sintomas típicos de intoxicação exógena dessa substância. Então, até o momento, além das provas técnicas reunidas, temos no inquérito depoimentos prestados por testemunhas no sentido de indicar a responsabilidade da madrasta na tentativa de homicídio por envenenamento — afirmou o delegado Flávio Rodrigues, titular da 33ª DP (Realengo) e responsável pelas investigações.

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Bruno teria começando a passar mal minutos após ter saído da casa onde Cíntia morava com seu pai, Adeilson Cabral, no último dia 15. Na residência, durante o almoço, foram servidos feijão, arroz, bife e batata frita, e estavam presentes no local, além do casal, e dos dois estudantes, uma filha de outro casamento dele e dois filhos e uma neta dela. De acordo com os depoimentos, o rapaz reclamou que o feijão estava com gosto amargo e o colocou no canto do prato. A madrasta então levou o prato de volta a cozinha e colocou mais comida.

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Após a refeição, o estudante foi deixado na casa da mãe, Jane Carvalho Cabral, que ligou então para o ex-marido contando dos sintomas apresentados pelo filho. Levado ao Albert Schweitzer, o jovem foi submetido a uma lavagem gástrica e teve a intoxicação exógena diagnosticada pela equipe médica.

À mãe, o estudante relatou ter passado mal justamente após ingerir “umas pedrinhas azuis que estavam no feijão” e contou que, ao servir seu prato, a madrasta teria apagado a luz da cozinha “como se estivesse escondendo algo”. Aos policiais, Cíntia disse que as tais “pedrinhas” eram um tempero de bacon que não havia dissolvido na comida.

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Presa temporariamente por tentativa de homicídio contra Bruno, Cíntia nega, por meio de seus advogados, que tenha cometido o crime. De acordo com as investigações, os envenenamentos teriam acontecido por ciúmes que a madrasta nútria da relação do companheiro com seus filhos biológicos.

A madrasta também é suspeita envenenar outra enteada, Fernanda Carvalho Cabral, de 22 anos, em circunstâncias semelhantes, em março; e é investigada ainda pela morte do ex-namorado, o dentista Pedro José Bello Gomes, em 2018; e de um vizinho, o representante farmacêutico Francisco das Chagas Fontenele, em 2020.

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