Perícia não encontrou projétil no corpo de menina de cinco anos morta em Niterói

Carolina Heringer
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RIO — O perito responsável pelo exame de necrópsia no corpo da Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, não encontrou nenhum projétil ou fragmento para realização de confronto balístico com a arma do policial militar preso pelo crime. No documento, ao qual o GLOBO teve acesso, o perito afirma que o corpo foi submetido a exame radioscópico e, após exaustivas buscas "não foram encontrados fragmentos de PAF (projétil de arma de fogo) no cadáver".

O cabo Bruno Dias Delaroli, do 12o BPM (Niterói) foi preso em flagrante pela Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG), acusado de ser o responsável pelo tiro que matou Ana Clara. A menina foi morta na última terça-feira quando brincava na porta de sua casa, na comunidade Monan Pequeno, em Pendotiba, Niterói.

Apesar da ausência de projétil no corpo da menina, policiais da DHNSG encontraram estojos de munição no local da morte da criança. Foram localizados estojos de fuzil calibre 7.62, o mesmo utilizado pelos policiais militares. Os estojos serão submetidos a confronto balísticos com a arma dos PMs envolvidos na ocorrência.

Na decisão do flagrante, determinando a prisão do PM, o delegado Bruno Reis, da DHNSG, ressaltou que no local do crime não foi encontrado qualquer estojo de munição compatível com pistola. Delaroli alegou, em seu depoimento, ter entrado em confronto com criminosos que usavam pistolas.

O exame de necropsia de Ana Clara atesta ainda quatro ferimentos no corpo da menina. De acordo com o laudo, são dois orifícios de entrada - um no braço direito e outro, no peito - , um de saída - também no braço direito, além de um grande ferimento na região do ombro esquerdo da menina.O perito aponta que todos os ferimentos têm ligação entre si.

A causa da morte, segundo o documento, foi "hemorragia interna e lesão polivisceral decorrente de traumatismo de tórax".

Na quarta-feira, a prisão em flagrante de Delaroli foi convertida em preventiva na audiência de custódia. Ele foi preso após contradições entre seu depoimento e o de testemunhas. O PM admitiu ter feito quatro disparos com seu fuzil, mas alegou não acreditar que tenha sido o responsável pelo tiro que matou Ana Clara.

O policial alegou ter atirado contra criminosos armados. No entanto, testemunhas afirmam que não havia bandidos na comunidade e dizem que Delaroli foi o único responsável por fazer disparos na comunidade.