Período de carnaval no Rio tem queda em reserva de hotéis, com 41% de ocupação

Pêmla Dias*
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O cancelamento do carnaval do Rio quebrou a tradição de lotações nos hotéis, conhecidos por receberem milhares de turistas durante uma das maiores festas cariocas. Segundo levantamento realizado pelo Sindicato dos Meios de Hospedagem do Rio de Janeiro (Hotéis Rio), a ocupação hoteleira na capital para a semana do feriado que seria da folia — de 12 a 16 de fevereiro — é de apenas 41%, até o momento. Em 2020, a reserva em hotéis na região foi de cerca de 78%.

— A pesquisa retrata a realidade da pandemia, do momento que nós estamos vivendo. A taxa de ocupação está praticamente a metade da registrada no ano anterior. Não é desejável, mas é compreensível. Mas, esperamos que com a vacinação em massa possamos retomar o turismo de eventos para darmos fôlego ao caixa das empresas — afirma o presidente do Hotéis Rio, Alfredo Lopes.

Neste período de pandemia, o turismo e a rede hoteleira estão sendo um dos setores mais afetados economicamente. Mas, apesar do prejuízo que já se arrasta desde o último ano, a medida de não realização do carnaval decretada pela Prefeitura do Rio foi tomada para evitar aglomerações, visto que o município tem o maior percentual de mortalidade do país em decorrência do coronavírus.

Do total de reservas já feitas, 92% são de visitantes com procedência do mercado nacional, que sairão principalmente dos estados de São Paulo, do próprio Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Os clientes mais expressivos são paulistas, região que, de acordo com o Sindicato, "há medidas mais restritivas para conter o vírus”. Os 8% restantes são estrangeiros vindos dos Estados Unidos, Argentina e Chile.

Para a semana do carnaval, a estimativa é que a ocupação de hotéis atinja aproximadamente 65% da capacidade máxima. Índice que vai contra os 93% da ocupação total das hotelarias no ano passado. Na próxima semana, novos dados serão divulgados pelo Hoteis Rio, após fechamento de outras vagas.

Outro evento que a pandemia não apenas diminuiu como barrou, foi a vinda dos famosos navios que atracam em solos cariocas com turistas de várias regiões do Brasil e do mundo para curtir a folia. De acordo com o Pier Mauá, concessionária responsável pela gestão do Terminal Internacional de Cruzeiros do Rio de Janeiro, este ano é de muita perda, visto que em 2020 o Rio recebeu mais de 27 mil turistas em nove transatlânticos, dos quais cinco deles internacionais. Agora, a próxima expedição só irá ocorrer em outubro de 2021.

— O turismo foi uma das atividades mais afetadas pelas restrições impostas pela pandemia da Covid-19. E particularmente o turismo de Cruzeiros, mesmo sendo o setor com mais experiência em lidar com a segurança sanitária. Porém estamos esperançosos que para a temporada 2021/2022, com o melhor entendimento sobre os mecanismos da doença e com a chegada das vacinas, os navios serão autorizados a implementar o conjunto de protocolos para dar tranquilidade e segurança aos viajantes — ressaltou o coordenador de Operações do Terminal Internacional de Passageiros do Pier Mauá, Marcello Chagas.

A concessionária Ecoponte também já estimou a quantidade de veículos que devem transitar pela ponte Rio-Niterói nos próximos dias. Segundo a empresa, cerca de 1,8 milhões de automóveis devem realizar o trajeto, entre esta quarta-feira (10) e segunda-feira (22). O pico será quinta (11), sexta (12) e sábado (13), com média de 277 mil veículos em direção a Niterói e Região dos Lagos. Para a volta, 173 mil veículos seguirão no sentido Rio na Quarta-Feira de Cinzas (17) e quinta-feira (18).

Com o objetivo de orientar os usuários a viajarem com segurança e cuidado com a saúde, a Ecoponte vai reforçar durante o feriado a campanha “Neste verão, não dê férias para a segurança”. A campanha está em painéis ao longo da rodovia, panfletos que são distribuídos na praça de pedágio e nas redes sociais da concessionária. Outro conselho é que os usuários respeitem o isolamento social e lembrem que a utilização de máscara é obrigatória em ambientes externos.

*Estagiária sob supervisão de Vera Araújo.