Período médio de incubação do coronavírus é de 7 dias, não 5, sugere estudo

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An Iranian woman wearinga face shield walks along a street in the capital Tehran amid the novel coronavirus pandemic on August 9, 2020. (Photo by ATTA KENARE / AFP) (Photo by ATTA KENARE/AFP via Getty Images)
An Iranian woman wearinga face shield walks along a street in the capital Tehran amid the novel coronavirus pandemic on August 9, 2020. (Photo by ATTA KENARE / AFP) (Photo by ATTA KENARE/AFP via Getty Images)

SÃO PAULO - Um novo estudo sugere que o tempo médio de incubação da Covid-19 é maior do que os 5 dias que que vinham sendo tipicamente estimados em outros trabalhos, estimando em 7,76 dias o intervalo entre o vírus infectar uma pessoa e esta manifestar sintomas e passar a retransmiti-lo.

Publicado sexta-feira (7) na revista "Science Advances", cientistas da Universidade Johns Hopkins, de Baltimore (EUA) e da Universidade de Pequim, a estimativa saiu da análise de mais de 1.000 pacientes que foram diagnosticados com a doença depois de deixarem a cidade de Wuhan, na China, onde o novo coronavírus emergiu.

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Segundo a AAAS (Associação Americana para o Avanço da Ciência), o trabalho usa a maior amostragem de pacientes reunida até agora para estimar o tempo de incubação do Sars-CoV-2. Ao incluir na análise apenas pacientes que saíram de Wuhan para outras cidades ainda sem transmissão comunitária do vírus, os cientistas conseguiram estabelecer um tempo mínimo para a aquisição de cada infecção.

Isso permitiu ao grupo usar um tratamento estatístico diferente, mais sofisticado, chamado pelos matemáticos de "processos regenerativos". Com a técnica, os cientistas dependem menos de os voluntários entrevistados terem memória boa o suficiente para se lembrarem de quando se expuseram ao vírus e quando começaram a sentir sintomas.

Como o tempo de incubação varia naturalmente de pessoa para pessoa, mesmo estimando um tempo médio de uma semana para o volume total de pacientes, 10% deles tiveram tempos de incubação de mais de 14 dias.

"Isso pode ser uma preocupação de saúde pública em razão da recomendação atual de período de quarentena de 14 dias", escrevem os autores do estudo, liderados por Jing Qin, da Universidade Johns Hopkins.

O receio, explicam, é que o período de duas semanas excede a política de quarentena de muitos países. Em princípio, um paciente isolado por duas semanas estaria virtualmente livre para ser liberado caso teste negativo para o vírus e não tenha sintoma. As exceções para essa regra, afirmam os cientistas, devem estar ocorrendo com mais frequência do que se imaginava.

No estudo os cientistas identificaram até mesmo período de incubação acima de 20 dias, mas em menos de 1% dos pacientes.

Além de informar autoridades sanitárias sobre o período ótimo de quarentena para isolar pacientes de Covid-19, o estudo da equipe de Qin pode precipitar mudanças nas simulações matemáticas usadas para tentar prever o comportamento da epidemia.

"Uma estimativa sólida da distribuição dos períodos de incubação tem papel vital em epidemiologia", escrevem os cientistas. "Sua aplicação inclui decisões da duração de quarentena para prevenção e controle e modelos dinâmicos que preveem com precisão o processo da doença."

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