Perdas rondam bolsas dos EUA mesmo com vacina, diz SocGen

Gregor Stuart Hunter
·2 minuto de leitura

(Bloomberg) -- Otimistas do mercado acionário que apostam que a vacina para o coronavírus irá prolongar o rali de 51% do índice S&P 500 em relação às mínimas podem se decepcionar, de acordo com o Société Générale.

O rali precificou os cenários mais otimistas para o potencial lançamento de uma vacina, e os mercados agora estão vulneráveis a reveses, de acordo com Solomon Tadesse, chefe de pesquisa quant de renda variável para a América do Norte. Se o mercado acionário dos EUA seguir a trajetória dos períodos baixistas do passado, isso implicará em perdas de cerca de 15% até o fim deste ano, disse.

“Chegamos ao teto, mesmo com todos esses cenários otimistas”, disse Tadesse em entrevista. “O lado negativo é muito mais óbvio do que o positivo.”

Enormes injeções de estímulo impulsionaram a subida do S&P 500 desde a onda vendedora provocada pelo coronavírus em março. O indicador ultrapassou por um breve momento um recorde no início desta semana, deixando estrategistas se perguntando se uma vacina poderia elevar o índice para uma nova máxima ou provocar outros tipos de turbulência.

É altamente improvável que a aprovação de uma vacina signifique que “todo mundo voltará ao escritório amanhã”, disse Tadesse, acrescentando que a realidade de uma vacina ser liberada para uso é provavelmente mais complicada do que os mercados esperam. Esses fatores estão entre os desafios para as ações subirem ainda mais neste ano, disse.

A análise do Société Générale de mercados baixistas durante os últimos 150 anos sugere “uma fragilidade significativa na recuperação”, desde que as ações cíclicas e de valor tenham um desempenho inferior, disse Tadesse.

Em relatório publicado em julho sobre vacinas e as perspectivas para os mercados após o surto, Tadesse escreveu que estudos sobre o impacto de longo prazo de pandemias anteriores apontam para “repercussões econômicas negativas prolongadas” que duram décadas.

Os estímulos devem ajudar a recuperação dos lucros de empresas do S&P 500 após o choque da Covid-19, mas alguns setores, como o de companhias aéreas, podem enfrentar problemas permanentes no fluxo de caixa, de acordo com Tadesse.

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