'Perdi uma amiga', diz professora que ajudou a socorrer vítimas de ataque em Saudades

Felipe Eduardo Zamboni e Gilmar Bortese
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CHAPECÓ - Funcionária do Centro de Educação Infantil Aquarela, a professora Aline Biazebetti ouviu os gritos das vítimas durante o ataque ocorrido em Saudades, no Oeste de Santa Catarina, na manhã desta terça-feira. No momento do crime ela estava em sua casa, vizinha à escola, e correu para socorrer as vítimas.

– Eu estava dentro de casa, escutei gritos e vi algumas meninas saindo pelo portão lateral da escola. Elas pediam socorro, diziam que um homem armado estava matando as crianças. Liguei para a polícia e, quando saí de casa, estavam retirando duas crianças muito feridas. Me entregaram uma e eu e meu pai a levamos para o hospital. Depois voltei para ajudar as professoras, que estavam desesperadas – afirmou.

Aline, que tem 27 anos e passa por um processo de estágio na escola, é colega de trabalho das duas professoras mortas – Keli Adriane Aniecevski, de 30 anos, e Mirla Renner, de 20 anos. As outras vítimas são três crianças de 2 anos de idade.

– Perdi uma amiga, a Keli. Ela trabalhava na sala ao lado da minha há mais de três anos, conversávamos todos os dias. Perdemos colegas, crianças, e ainda temos o medo e a insegurança. Na hora de voltar será muito triste – declarou Aline.

A professora diz que o crime foi presenciado por muitos dos alunos e funcionários do colégio.

– As crianças se preparavam para o almoço. O homem tentou entrar em outras salas, mas desistiu. Então foi para a sala da frente do colégio, onde tinha mais gente. Muitas crianças e professores presenciaram o crime – relatou Aline.

O crime

De acordo com a Polícia Militar, um rapaz de 18 anos invadiu o Centro de Educação Infantil Aquarela por volta das 10h, entrou em uma sala de aula com um facão e começou a desferir golpes em professoras e crianças. Moradores ouviram as vítimas gritarem por socorro, entraram na escola e detiveram o jovem. Ele então feriu o próprio pescoço com a arma. Ainda de acordo com a PM, ele foi socorrido no Hospital da cidade vizinha de Pinhalzinho.

No comunicado, a polícia informou ainda que "segundo populares, o homem relatou ter sofrido bullying, porém não estudou na creche" e acrescentou que não tem "mais informação sobre motivação". A escola atende alunos do berçário, de até três anos.

Após a tragédia, a prefeitura decretou luto municipal por três dias.