Perfil utilizado para ataques virtuais foi criado com e-mail usado por gabinete de Eduardo Bolsonaro

Isabella Macedo
O deputado federal Eduardo Bolsonaro 15/12/2019

Uma das contas envolvidas em ataques virtuais e investigada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) das Fake News foi criada com um e-mail utilizado pelo gabinete do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). A página que tinha o nome "Bolsofeios" saiu do ar durante na tarde desta quarta-feira, mas foi citada em depoimento da deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) como uma das principais nas milícias digitais, que têm por objetivo de atacar pessoas consideradas adversárias do presidente Jair Bolsonaro. A informação publicada pelo "Uol" foi confirmada nesta tarde pelo GLOBO.

Os dados foram enviados à CPI pelo Facebook em resposta a um pedido do deputado Túlio Gadêlha (PDT-PE), apresentado após o depoimento de Joice. Quando prestou depoimento à comissão, a deputada havia dito que reuniu informações sobre perfis no Twitter, Facebook e Instagram e que Eduardo estava "amplamente envolvido" na coordenação de ataques virtuais.

O e-mail usado para criar a conta é mantido pelo assessor Eduardo Guimarães e usado pelo gabinete. Eduardo e sua assessoria não se manifestaram. No início de dezembro do ano passado, quando prestou depoimento à CPI, Joice Hasselmann tinha dito que assessores e o próprio deputado estavam envolvidos na coordenação de ataques.

— As instruções são passadas, principalmente pelo Eduardo e assessores ligados a ele. O Carlos [Bolsonaro] também teve muita atividade, mas agora ele está mais com o freio de mão puxado — afirmou a deputada no dia 4 de dezembro, quando prestou depoimento à comissão.

Autor do requerimento, o deputado Túlio Gadelha afirmou que a revelação feita pelo "Uol" e confirmada pelo GLOBO dá um passo importante na investigação ao apontar que há disseminação de fake news e ataques de reputações partindo de um gabinete parlamentar, mas ainda é preciso investigar mais a fundo.

— Se isso for confirmado, é muito sério mesmo. Mas precisamos ter mais informações sobre o e-mail cadastrado nessa conta, por exemplo. É importante quebrar o sigilo telemático e o telefônico do número cadastrado. Todos esses requerimentos nós vamos apresentar o quanto antes para isso ser aprovado na CPMI na próxima semana  — disse o deputado.