Performance chilena contra estupro viraliza e chega a vários países

RIO - "E a culpa não era minha, nem de onde estava, nem de como me vestia. O estuprador era você." Esse é o refrão da performance de protesto "Un violador en tu camino" (Um violador em seu caminho), criada por um coletivo feminista chileno para o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres, 25 de novembro, e que viralizou e ganhou o mundo.

Centenas de mulheres se reuniram em cidades como Paris, Londres, Barcelona, Nova York, Cidade do México, Istambul, Madri, Berlim e Bogotá para repetir a coreografia e cantar a música criada pelo coletivo Lastesis. As participantes usam uma venda sobre os olhos, tanto para simbolizar a cegueira da Justiça diante de casos de violência contra as mulheres quanto para lembrar dos 232 manifestantes chilenos que, desde 18 de outubro, foram atingidos nos olhos por balas de borracha lançadas pela polícia.

A performance ficou conhecida no próprio dia 25, quando foi excutada por dezenas de mulheres em uma manifestação em Santiago.

O coletivo Lastesis, criado por quatro mulheres de Valparaíso, fez um chamado por meio de sua conta no Instagram para que a intervenção fosse replicada em outros lugares. O chamado foi atendido e a letra foi adaptada e traduzida para diversas línguas.

A letra da música diz ainda que "o patriarcado é um juiz que nos julga por nascer e nosso castigo é a violência que se pode ver. É feminicídio. Impunidade para o assassino. Desaparecimento. E estupro". Depois do refrão "o estuprador era você", elas completam: "São os policiais. Os juizes. O Estado. O presidente".

Dafne Valdés Vargas, Sibila Sotomayor Van Rysseghem, Paula Cometa Stange e Lea Cáceres Díaz se reuniram há pouco mais de um ano para formar o coletivo. Segundo Dafne disse ao site chileno Interferencia, a ideia do grupo é levar ideias feministas em "um formato cênico de uma forma simples e pegajosa para que a mensagem chegue a mais pessoas".

A música busca, de acordo com elas, "desmistificar a violência como um problema pessoal" e lembra que, no Chile, apenas 8% dos casos de estupro resultam em algum tipo de condenação.