As perguntas sem resposta com a nova postura do ministro da Saúde sobre o coronavírus

Renata Mariz e André de Souza

A postura do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, após ser pressionado pelo presidente Jair Bolsonaro a reduzir recomendações de isolamento para prevenir o novo coronavírus, gerou interpretações diversas e muitas dúvidas. Ao fazer um pronunciamento dizendo que "foi precipitada" a quarentena em algumas partes do país, e sair antes que os jornalistas pudessem perguntar, na coletiva de quarta-feira, Mandetta deixou de explicar de forma clara alguns pontos. E encarregou técnicos de dizer que nada havia mudado nas orientações da pasta, ao menos por enquanto.

Algumas perguntas continuam sem resposta. O presidente Jair Bolsonaro disse que todos devem tocar a vida normalmente, exceto idosos e pessoas com problemas de saúde que poderiam ser agravados em associação com a Covid-19. Acrescentou que aulas deveriam ser retomadas, assim como templos religiosos continuarem abertos, pois caberia a cada líder decidir como fazer celebrações.

Mas as recomendações do Ministério da Saúde, emitidas em 13 de março, vão em outra direção: "reduzir o deslocamento laboral", "reduzir o fluxo urbano", "antecipação de férias escolares", "cancelar viagens não essenciais". A regra é evitar aglomeração, segundo a pasta. Tais orientações são direcionadas a empresas, instituições de ensino e gestores locais (governadores e prefeitos).

Como pessoas sadias e não idosas usarão o transporte público, irão às escolas, andarão nos elevadores e nas ruas normalmente, como quer Bolsonaro, sem se aglomerar? Como garantir que não irão infectar os idosos e doentes que, muitas vezes, são cuidados por eles?

Faria bem à população que o Ministério da Saúde fosse transparente sobre o que vale ou não como recomendação, ainda que sirva como uma orientação a ser adaptada por cada estado ou município.

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