Peritos da PF concluem transcrição de diálogos do vídeo da reunião entre Bolsonaro e ministros

Aguirre Talento

BRASÍLIA — Peritos da Polícia Federal concluíram nesta terça-feira a transcrição integral dos diálogos do vídeo da reunião do presidente Jair Bolsonaro com ministros do seu governo, realizada no último dia 22 de abril e que está no centro do inquérito sobre supostas interferências indevidas de Bolsonaro na PF.

Segundo fontes da perícia, o vídeo tinha aproximadamente duas horas, e o trabalho, que teve início na última terça-feira, foi concluído em um tempo considerado rápido, dada a urgência da investigação. Dois peritos atuaram no trabalho, para permitir que fosse feito com mais velocidade e eficácia.

O trabalho foi dividido em duas etapas. Primeiro, foi feita a transcrição integral dos diálogos. Agora, em um segundo momento, os peritos analisarão a autenticidade do arquivo de vídeo e se houve manipulações ou edições.

O relatório da perícia deve ser enviado ao ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda não decidiu sobre a divulgação parcial ou integral do conteúdo do vídeo. Antes, o documento deve passar pelo Serviço de Inquéritos Especiais (Sinq) da Polícia Federal, responsável pelas diligências do inquérito contra o presidente.

A transcrição havia sido determinada pelo próprio ministro, para auxiliá-lo na decisão sobre a divulgação do material. O ministro assistiu ao vídeo na segunda-feira e agora analisa se ele pode ser totalmente divulgado ou se é necessário preservar determinados trechos.

A Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestaram no sentido de que sejam divulgados apenas trechos do vídeo, sem a divulgação integral. No Palácio do Planalto, há um receio da repercussão negativa de declarações de ministros com críticas ao STF e a governadores e prefeitos.

O vídeo foi exibido para os investigadores do caso na semana passada. Como revelou O GLOBO na terça-feira, nesse vídeo Bolsonaro vincula seu desejo de trocar a Superintendência da Polícia Federal do Rio com a necessidade de proteger amigos e familiares. Ele usa o termo "segurança do Rio" para se referir à Superintendência da PF, na avaliação dos investigadores.