Pernambuco inicia vacinação das comunidades quilombolas

Alma Preta
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A comunidade Portão de Gelo, em Olinda, primeiro quilombo urbano do Nordeste, recebeu as primeiras doses da imunização no Dia Mundial de Luta pela Eliminação do Racismo
A comunidade Portão de Gelo, em Olinda, primeiro quilombo urbano do Nordeste, recebeu as primeiras doses da imunização no Dia Mundial de Luta pela Eliminação do Racismo (Imagem: Governo PE)

Texto: Victor Lacerda / Edição: Lenne Ferreira

Com a chegada de 208 mil novas doses das vacinas Sinovac/Butantan e Astrazeneca/Oxford/Fiocruz no último sábado (20), em Pernambuco, a população quilombola começou a ser imunizada contra a COVID-19. Em ato simbólico, a campanha foi iniciada no Dia Mundial de Luta Pela Eliminação do Racismo, no primeiro quilombo urbano do Nordeste. Reconhecido pela Fundação Palmares, a comunidade Portão de Gelo/Terreiro de Xambá, em Olinda, recebeu profissionais de saúde na manhã do último domingo. 

Para marcar a fase de primeira dosagem aos povos tradicionais, o babalorixá do Terreiro de Xambá, Ivo, foi o primeiro a ser vacinado e, em conversa com a Alma Preta Jornalismo, destacou a importância da representatividade no cenário da saúde atual. “Ao ser vacinado, me veio em mente a responsabilidade com a comunidade quilombola, por ter sido o primeiro do estado, e reafirmar o compromisso que o governo precisa ter com a gente. Participei da ação também por acreditar que a gente pode passar para frente a importância de estarmos imunes e em segurança”, pontuou o sacerdote, que é Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), primeiro representante de religião de matriz africana a ter esse reconhecimento acadêmico no estado.

Com a entrega da nova remessa, sobe para 1.260.960 o número de doses de vacinas contra a Covid-19 já disponibilizadas aos municípios pernambucanos. Sobre a prioridade ao acesso à vacina dedicada aos povos tradicionais, o governo estadual afirma garantir o direito à saúde aos mais diversos grupos populacionais, priorizando, nesta fase da campanha, também a população indígena aldeada.

O estado, que possui 196 territórios registrados dos povos tradicionais e uma população aproximada em 250 mil pessoas, teve nove óbitos confirmados pela doença, segundo levantamento feito pela Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (CONAQ). Dados sobre casos confirmados com recorte específico para a população quilombola não são apresentados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE).

Como expectativa de continuidade da campanha, Ivo de Xambá espera que mais pessoas sejam imunizadas no menor espaço de tempo possível. “Amanhã, serão vacinadas mais 100 pessoas aqui. Vejo que, não só nós, quilombolas, mas todos precisam de um meio de se sentirem mais tranquilos diante dessa doença, como com a chegada de mais vacinas. Espero que em breve todos possam estar imunes”, declarou.