Persio Arida afirma não ter intenção de ter cargos no novo governo

O economista Persio Arida disse nesta sexta-feira não ter intenção de assumir cargos no governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Em declarações ao jornal "Folha de S.Paulo", o economista, que nesta semana teve o nome cotado para o Ministério do Planejamento, negou ter recebido convite formal para a área econômica.

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"Esse suposto convite não passa de um devaneio de algumas agências de notícias. Foi difundido e a quimera acabou sendo tomada como se verdade fosse. O fato é que não recebi nenhum convite ou qualquer sondagem para ser Ministro do Planejamento ou da Fazenda", afirmou o ex-presidente do Banco Central e um dos formuladores do Plano Real.

A informação de que ele pudesse assumir o Planejamento ou a secretaria-executiva da Fazenda agradou o mercado financeiro nesta semana.

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Persio Arida integra o grupo técnico da área econômica na equipe de transição do governo eleito, ao lado do ex-presidente do BNDES André Lara Resende, do ex-ministro Nelson Barbosa e do economista Guilherme Mello.

Segundo o jornal, ao ser questionado sobre sua avaliação da PEC da Transição, Arida disse que é preciso ter um "critério que compatibilize a responsabilidade social com a responsabilidade fiscal" e, segundo seus cálculos, o valor seria "substantivamente menor" ao apresentado na versão inicial, de R$ 198 bilhões.

O ex-presidente do Banco Central e do BNDES, Pérsio Arida sempre foi um defensor da responsabilidade fiscal. Para ele, é essencial que seja estabelecida uma regra de controle de gastos, seja ela qual for, evitando desperdício de recursos, por exemplo, com subsídios a setores ineficientes.

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"Para 2023, o critério que proponho é manter os gastos públicos constantes em relação ao PIB", afirmou Arida, que também defende a necessidade de discutir uma alternativa ao teto de gastos. Na entrevista, o economista estima em R$ 135 bilhões como um valor estimado para ficar fora do teto. "Se não houver uma revisão do PIB de 2021 e supondo um crescimento de 2,5% do PIB no ano que vem", disse. Para ele, essa autorização para o gasto adicional deveria ser por dois anos.

Há cerca de uma semana, durante participação no Lide Brazil Conference, em Nova York, Arida disse que não havia oposição entre responsabilidade fiscal e social, ressaltando que que há diversos casos de países que olharam mais para um dos lados da equação e tiveram problemas.