Personagem 'onipresente' da cena cultural carioca, Sady Bianchin é secretário de cultura em Maricá

Gilberto Porcidonio
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RIO - Figura mitológica da noite e da cena cultural carioca da década de 1990, costumava-se dizer, na época, que o poeta, ator e diretor de teatro Sady Bianchin era capaz de aparecer em diversos lugares ao mesmo tempo, com a "mágica" sendo relatada, inclusive, por pessoas diversas falando que o viram em alguma festa, boate, bar ou point do momento. Agora, o poder que Sady precisa ter é outro: "bombar" a cena cultural de Maricá, na Região Metropolitana do Rio.

Empossado como o secretário de Cultura do município pelo prefeito Fabiano Horta este ano, Sady já vinha trabalhando na secretaria desde abril do ano passado. E a sua fama pretende ser um dos diferencias do seu trabalho.

— Nós estamos com três gabinetes itinerantes, estando em diferentes lugares do município, colocando na prática a minha fama de onipresente, na caravana de artistas levando a arte a cada canto da cidade, como um instrumento para a transformação social, numa verdadeira caravana cultural — disse Sady, que afirma que essa lenda nasceu de forma espontânea:

— Eu nem sei dizer em data ela surgiu exatamente, mas veio mesmo de eu estar em várias atividades por ser poeta e ator, então eu estava em tudo. Isso tudo coincidiu com o lançamento do filme "Como ser solteiro", da Rosane Svartman, em 1998, em que em fiz o personagem Wally.

Sady começou a se interessar por cultura, em especial teatro, música, cinema e poesia, desde a sua infância no Mato Grosso do Sul, eonde estudou em meio aos povos indígenas da região de Amambai. Mas a fama de cultureiro veio mesmo foi no Rio, em uma época que a cidade fervilhava de lugares e atores da cena alternativa. Com doutorado em Teatro e Sociedade pela Universidade de Roma, na Itália, Sady também já foi presidente do Conselho Municipal de Cultura de Niterói e Coordenador de Projetos especiais da secretaria estadual dos Direitos Humanos do Estado.

— Sou um passeador pelas narrativas da cidade, a realidade social é matéria prima para construir minha poesia, que é um atalho para êxtase. O rito mágico dos eventos, sempre me atraiu, sou uma pessoa plural, que tenho fascínio pela energia coletiva das festas, dos encontros, do comportamento de um grupo social num determinado território, por isso sigo estas manifestações tradicionais da alegria — se define o ator.

E como é que alguém que viu esse boom de cultura acontecer no Rio está passando e pensando nesta pandemia que vitimou, primeiramente, o cenário artístico que será também o último a voltar em profusão?

— Este é um momento difícil para a classe artística ao todo, mas agora é a vez da cultura dar a dimensão que Maricá merece, com a criação do Polo Cinematográfico, para trazer as grandes produções e também colocar a cadeia produtiva local no cenário nacional. No contexto do Estado, para aquecer a cultura e a economia criativa é essencial a construção de um consórcio cultural, para contemplar o maior número de trabalhadores da cultura, além de pensar com seriedade nas leis de incentivo para as artes — pensa Sady. — No campo do saber científico, não tem outra saída, que nossos governantes assumirem o compromisso com a vacinação imediata e valorizar a cultura popular brasileira único lugar que não somos colônia e a arte urbana, transformando as cidades em verdadeiros museus, galerias e espetáculos a céu aberto.