Personalidades de escolas de samba da Baixada concorrem a vagas nas câmaras municipais

Cíntia Cruz
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A rainha de bateria da Beija-Flor, Raíssa de Oliveira, quer conquistar o primeiro mandato

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A rainha de bateria da Beija-Flor, Raíssa de Oliveira, quer conquistar o primeiro mandato

Todos os anos eles participam da disputa mais aguardada pelos apaixonados por carnaval: os desfiles das escolas de samba. Este ano, a competição será nas urnas. Estreantes ou em busca da reeleição, candidatos que fazem parte de agremiações da Baixada Fluminense querem trocar a passarela do samba pelas câmaras municipais.

Intérprete e compositor da Império da Uva, escola de samba de Nova Iguaçu que desfila no Grupo Especial da Intendente Magalhães, Nurynho (PV) concorre ao primeiro mandato. O candidato de 25 anos é filho da vice-presidente, Cátia Rodrigues, sobrinho do presidente, Hernalton Portuga, e neto do fundador, Natinho, que morreu no ano passado.

— Hoje não temos ninguém que defenda a cultura dentro da câmara, e nosso mandato será uma voz da cultura para defender não só as escolas de samba, que é o movimento em que estou inserido, mas todas as formas de cultura, todos os artistas da cidade — afirmou Nurynho, que defende o retorno dos desfiles das escolas de samba de Nova Iguaçu.

Em Nilópolis, a rainha de bateria da Beija-Flor, Raíssa de Oliveira (Avante), quer conquistar o primeiro mandato. Para dar conta de campanha, família e negócios, abriu mão até da malhação.

— Precisei priorizar minhas atividades. A rotina está muito puxada. Acordo às 5h todos os dias e não tenho hora para dormir. Se Deus permitir que eu seja vereadora, tudo será conciliado. Não deixarei meu posto de rainha de bateria, tampouco deixarei de cumprir com todos os meus deveres como vereadora — garante a candidata, que propõe a criação de um hospital maternidade municipal.

Em Belford Roxo, o vereador Rodrigo Gomes (MDB), presidente de honra e filho do presidente da Inocentes de Belford Roxo, escola da Série A, tenta o terceiro mandato. Rodrigo, que já foi secretário de Igualdade Racial e subsecretário de cultura no município, propõe, entre outras coisas, a criação de uma Escola municipal de Música:

— O mundo do samba está se envolvendo mais com política por estar sentindo que o carnaval está cada dia mais sendo deixado de lado. A gente precisa ter mais gente que tenha voz para estar por isso.

Concorrendo em Duque de Caxias, a vereadora Delza de Oliveira (Patriota) é diretora da Acadêmicos do Grande Rio e irmã do presidente de honra da escola, Helinho de Oliveira. Procurada, ela não quis falar com o EXTRA.

Nurynho está prestes a colar grau como bacharel em Direito na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em Nova Iguaçu. Iguaçuano criado no bairro Carmary, ele cresceu dentro da Império da Uva, agremiação que foi fundada em 1980 pelo seu avô materno. Na adolescência, passou a atuar como intérprete e compositor da escola. Nurynho também é compositor e intérprete na Beija-Flor de Nilópolis.

Também foi na Azul e Branca de Nilópolis que tudo começou para Raíssa de Oliveira. Hoje com 30 anos, ela foi a rainha de bateria mais nova do carnaval, pisando pela primeira vez na Marquês de Sapucaí, já assumindo o posto, aos 12 anos. Formada em jornalismo, Raíssa é mãe de Rhayalla e empresária.

Presidente de honra da Inocentes de Belford Roxo, Rodrigo Gomes tem 31 anos. Em 2011, foi vice-presidente da agremiação. Quatro anos depois, em 2015, passou a ser presidente administrativo. Dois anos depois, assumiu o cargo que ocupa até hoje.