Perspectivas para a Síria são 'sombrias', segundo investigadores da ONU

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Uma foto tirada no campo de al-Hol, que mantém parentes de supostos combatentes do grupo do Estado Islâmico (EI) em Hasakeh, nordeste do país, em 14 de setembro de 2021 (AFP/Delil SOULEIMAN)

O aumento da violência na Síria, junto com o colapso econômico, torna as perspectivas para os civis cada vez mais "sombrias", estimaram investigadores da ONU nesta terça-feira(14).

“Depois de uma década, as partes em conflito continuam cometendo crimes de guerra e crimes contra a humanidade e atentam contra os direitos humanos fundamentais dos sírios”, declarou em entrevista coletiva o presidente da comissão de investigação da ONU sobre a Síria, Paulo Pinheiro.

"A guerra contra os civis sírios continua e é difícil para eles encontrarem segurança ou um porto seguro neste país dilacerado pela guerra", acrescentou.

Em seu último relatório, que cobre o período de 1º de julho de 2020 a 30 de junho de 2021, os membros da comissão lamentaram que nenhuma medida esteja sendo tomada para reunificar ou reconciliar o país e que as prisões arbitrárias pelas forças governamentais continuem.

"A situação geral na Síria parece cada vez mais sombria", disse em nota Karen Koning AbuZayd, membro da comissão.

“Além da intensificação da violência, do colapso da economia, os leitos dos rios da Mesopotâmia estão mais secos do que nunca e o sistema de saúde dizimado pela guerra parece incapaz de conter a transmissão comunitária generalizada da covid-19”, afirmou.

“Não é momento de pensar que a Síria é um país capaz de acolher o retorno de seus refugiados”, afirmou.

O relatório destaca que dezenas de milhares de sírios estão desesperados sem notícias de seus familiares desaparecidos em um país com muitas detenções ilegais.

Os investigadores também lamentam o recrudescimento dos combates no país nos últimos meses, com um retorno à "tática do cerco" como em Deraa, no sul, onde o regime cerca bairros rebeldes, disse a comissária Hanny Megally.

Pinheiro também considerou "escandaloso" que cerca de 40.000 crianças, metade delas iraquianas e as demais de cerca de 60 nacionalidades, ainda estejam detidas em Al Hol e em outros campos de deslocados junto com familiares de jihadistas porque seus países de origem se recusam a acolhê-los.

“Punir os filhos pelos pecados dos pais é injustificável”, disse ele.

A comissão deve apresentar o relatório ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em 23 de setembro.

A violência na Síria já deixou quase meio milhão de mortos e milhões de deslocados desde o início da guerra em 2011.

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