Perto da volta à Série A, Bahia planeja reformulação com a SAF

Esta pode ser a última noite em que o torcedor do Bahia precisará se dividir entre a preocupação com a Série B e a expectativa sobre o futuro com uma Sociedade Anônima de Futebol controlada pelo Grupo City. Se vencer o Guarani, na Fonte Nova, às 19h, garante matematicamente o acesso à Série A. E poderá se concentrar totalmente na potencial transformação que está por vir.

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A experiência nas duas frentes marcou o último ano do presidente Guilherme Bellintani. Precisou administrar as frustrações com o rebaixamento para a Série B, mesmo com o tricolor administrativa e financeiramente nos trilhos, e convencer também os donos do Manchester City, com percentual em outros dez times pelo mundo, de que a presença do clube de Salvador na segunda divisão se tratou apenas de um acidente de percurso.

— Foi um ano que precisei estabelecer essas duas frentes. Voltar para a Série A e trazer uma proposta consistente para o clube. Foi preciso mostrar que éramos um time de Série A na Série B e por isso preferimos não fazer qualquer empréstimo com o Grupo City, para fazermos a melhor negociação possível. Se eu tivesse adiantado alguma coisa, as conversas poderiam ficar menos vantajosas — explicou: — Preferimos tocar o Bahia por nós mesmos. Apesar de termos a torcida muito ferida, e nós do clube machucados também, tínhamos um projeto consistente para a Série B.

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A campanha não foi exatamente sem percalços, apesar de o tricolor ter se mantido entre os quatro primeiros colocados da Série B da primeira rodada até a atual — mesmo se perder para o Guarani e o Ituano vencer sua partida, os baianos chegarão ao último jogo dentro do G4. Ao longo da temporada, o futebol apresentado pelo time não agradou. Tanto que houve duas trocas de treinador. Primeiro caiu Guto Ferreira, depois Enderson Moreira. Atualmente é Eduardo Barroca o responsável por levar o time à primeira divisão de novo.

— Temos mais dois jogos pela frente. Vivemos a expectativa do acesso, mas entendemos que o campeonato é de 38 rodadas — afirmou Bellintani.

Por mais que seja tentador imaginar o futuro com os milhões do Grupo City, o Bahia se vê obrigado a esperar a confirmação do acesso para iniciar efetivamente qualquer planejamento para a temporada que vem. A divisão que estará em 2023 não interfere no teor do contrato acertado entre as partes, mas mexe completamente na maneira como o dinheiro será investido, prioridades em termos de gastos na nova SAF.

Evolução nos resultados

Depois da Série B, com ou sem acesso, é de se imaginar uma reformulação grande no departamento de futebol do Bahia. Ainda que a criação e venda de 90% da SAF para o Grupo City não tenha sido confirmada — ela depende da aprovação dos sócios do clube em assembleia que deve acontecer na primeira quinzena de dezembro.

A ideia é o clube iniciar o planejamento para a próxima temporada levando em consideração a visão do Grupo City para o futebol do Bahia. Se por um acaso os sócios decidirem votar pela não criação da SAF, o tricolor assumirá a responsabilidade pelas decisões que forem tomadas após consulta.

— O que se adianta, em caso de retorno à Série A, é o planejamento. Todas as decisões que o Bahia tomar serão decisões que estão sendo tomadas com o conhecimento do Grupo City. Mas devemos aguardar o resultado na Série B para que isso aconteça. Mas eu não contrataria um jogador para o ano que vem sem ter essa decisão compartilhada com o possível investidor.

O grande desafio para o Bahia, em caso de acesso contra o Guarani ou então na última rodada, contra o CRB, será levar os méritos administrativos dos últimos anos para o campo e ser mais competitivo na Série A.

Adversários do Nordeste, que se reestruturaram posteriormente ao clube de Salvador, atingiram resultados mais expressivos na primeira divisão — o Fortaleza, com a classificação para a fase de grupos da Libertadores deste ano, é o melhor exemplo disso.

Se confirmar a criação da SAF e sua venda para o Grupo City, essa tarefa tem tudo para se tornar mais fácil.