Peru acumula mais de 2,5 milhões de casos de covid-19

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Um técnico de laboratório lida com alguns testes de PCR em um centro móvel gratuito de detecção de coronavírus no distrito de La Victoria, em Lima, em 12 de janeiro de 2022 (AFP/Cris Bouroncle)

País com a maior taxa de mortalidade por covid-19 no mundo, o Peru superou, na sexta-feira (15), os 2,5 milhões de casos confirmados, em meio à terceira onda da pandemia dominada pela variante ômicron - informou o Ministério da Saúde.

As novas infecções se devem à expansão da variante ômicron, que levou ao recorde de 39.080 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas.

Desde o início da pandemia, em março de 2020, este país andino de 33 milhões de habitantes acumulou 2.512.789 casos e 203.302 mortes, conforme balanço oficial divulgado ontem.

Na região, que registra mais de 300.000 casos por dia, o Peru é o terceiro com mais óbitos, atrás de Brasil e México, com 620.000 e 300.000, respectivamente.

Na região metropolitana de Lima, onde vive quase um terço dos 33 milhões de habitantes do Peru, 82% dos novos casos estão ligados à ômicron, segundo as autoridades.

Desde que o primeiro caso dessa variante foi relatado em 19 de dezembro, o Peru registrou mais de 246.000 novos casos. Isso representa 9,8% do total de casos em apenas quatro semanas.

"Este é um problema internacional, onde a transmissão é extremamente simples e fácil. Infelizmente, a ômicron tem uma alta taxa de transmissão", afirmou o infectologista Eduardo Gotuzzo à AFP.

A variante ômicron "tem transmissão rápida e agressiva, mas, felizmente, baixa mortalidade e hospitalização. No entanto, os sistemas de saúde estão paralisados", acrescentou o médico Gotuzzo, que também é professor da Universidade Cayetano Heredia.

O ministro da Saúde, Hernando Cevallos, disse esta semana à imprensa que a ômicron "afetará todo sistema de saúde do país", atingindo, principalmente, seu nível básico de atendimento nos postos e centros de saúde.

- Vacinação prioritária -

"Em cada região do mundo, existem variantes. Duram cerca de três meses e depois surge outra", disse Gotuzzo.

Ele ressaltou, porém, que, devido ao alto percentual de vacinados no Peru, as pessoas infectadas apresentam sintomas leves do vírus.

Na quarta-feira, o ministro Cevallos confirmou que os não vacinados representam 90% dos pacientes nas unidades de terapia intensiva. "Eles estão enchendo nossas UTIs", alertou.

O governo peruano conseguiu imunizar mais de 80% da população com mais de 12 anos. Mais de 22 milhões de pessoas receberam as duas doses da vacina, enquanto quase 6 milhões já têm o reforço.

O governo também está programado para vacinar crianças entre 5 e 11 anos a partir da próxima semana.

Com a explosão de casos relacionados com a variante ômicron, desde a semana passada longas filas de pessoas passaram a serem atendidas em Lima, para se submeterem a teste de detecção do coronavírus, ou para serem imunizadas, em hospitais e em postos de vacinação da capital.

A média semanal de casos de covid-19 passou de 1.500, em meados de dezembro, para mais de 20.000, na semana compilada até a última quinta-feira.

O Peru tem a maior taxa de mortalidade por covid-19 do mundo, com 6.160 mortes por milhão de habitantes, segundo balanço da AFP feito com base nos números oficiais.

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