Peru descarta adiar eleições apesar do aumento dos casos de covid-19

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Yonhy Lescano, candidato à Presidência do Peru pelo partido Ação Popular, durante comício de campanha em Lima, 29 de março de 2021

O presidente interino do Peru, Francisco Sagasti, descartou nesta terça-feira (30) adiar as eleições gerais de 11 de abril por causa do forte aumento dos contágios de covid-19.

"De nenhuma forma" a votação será adiada, assegurou Sagasti durante visita a um hospital da cidade andina de Arequipa.

O presidente deu esta explicação a jornalistas que lhe perguntaram se o Peru seguiria os passos do vizinho, o Chile, que procede ao adiamento das eleições locais e constituintes convocadas para 10 e 11 de abril, devido ao aumento dos contágios.

"As situações do Peru e do Chile são diferentes. O Chile está em uma situação muito mais complicada. Em segundo lugar, as eleições no Chile não são eleições [presidenciais e legislativas, como no Peru], é uma eleição para ter uma assembleia constituinte", expressou.

O presidente peruano afirmou que os órgãos eleitorais e o Ministério da Saúde têm trabalhado para que a votação ocorra de forma segura.

"Foram tomadas todas as precauções para o caso, toda a cidadania está sendo informada claramente sobre como votar com segurança e no dia 11 de abril, teremos eleições indefectíveis", afirmou.

Vinte e cinco milhões de peruanos estão habilitados a votar. Caso não o façam, aplicam-se multas que variam entre 88 soles (25 dólares) e 44 soles (12,5 dólares), pois o voto é obrigatório no país.

A menos de duas semanas do pleito, os 18 candidatos presidenciais peruanos realizam comícios com partidários que se amontoam, enquanto os contágios por covid-19 atingem cifras alarmantes em meio à segunda onda da pandemia. Na sexta-feira foi registrado um recorde de quase 12.000 contágios.

Na última semana, os casos confirmaram chegaram a 8.617 por dia, em média, 30% a mais do que há um mês e a cifra de mortos se mantêm em torno de 200 por dia há dois meses neste país de 33 milhões de habitantes.

No Chile, o presidente Sebastián Piñera anunciou no domingo um projeto de reforma constitucional para adiar para 15 e 16 de maio as eleições de prefeitos, governadores e constituintes ante o embate da covid-19, que mantém boa parte da população do país confinada.

Embora no Chile a vacinação avance aceleradamente, os casos estão em alta. Nesta terça-feira, foram registrados 5.394 novos contágios e 37 óbitos. O país acumula 989.492 casos e 23.107 mortes em uma população de 19 milhões de habitantes, segundo cifras oficiais.

O Peru acumula 1,5 milhão de contágios e 51.635 mortos, segundo um balanço oficial.

Sua campanha de imunização, iniciada em 9 de fevereiro, avança muito lentamente e até agora cobre apenas os profissionais de saúde e os maiores de 80 anos.

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