Peru: Humala nega novamente ter recebido dinheiro da Odebrecht

O ex-presidente do Peru, Ollanta Humala, no dia 30 de junho de 2016

O ex-presidente peruano Ollanta Humana negou novamente que tenha recebido três milhões de dólares da Odebrecht para a campanha que o levou ao poder em 2011, depois que o empresário Marcelo Odebrecht declarou o contrário à justiça brasileira.

"A justiça peruana tem que corroborar o que dizem. Não houve financiamento da Odebrecht porque, caso contrário, teríamos informado", disse Humala a jornalistas na noite de quarta-feira.

Humala, que governou de 2011 a 2016, fez esta declaração depois de ter aparecido em uma declaração ante a justiça brasileira feita por Marcelo Odebrecht, que dirigia a empresa.

"O Grupo Odebrecht, a pedido de Antônio Palocci Filho, teria repassado, via Setor de Operações Estruturadas, US$ 3 milhões ao candidato à Presidência do Peru Ollanta Humala", afirmou Marcelo Odebrecht, segundo um documento do Supremo Tribunal Federal (STF) citado nesta quinta-feira pela imprensa peruana.

O ex-chefe da gigante brasileira da construção colabora com a justiça depois que o juiz Sérgio Moro o condenou a 19 anos e quatro meses de prisão.

Humala afirmou, no entanto, que caso tivesse recebido esse dinheiro para sua campanha eleitoral, "teria sido totalmente legal".

"Em nosso caso não há nada (de projetos da Odebrecht sobrevalorizados), tudo foi transparente", ressaltou, ao defender a relação entre seu governo e os projetos da Odebrecht.

É a segunda vez em que Humala nega ter recebido financiamento da brasileira. Em fevereiro negou declarações do ex-representante da Odebrecht no Peru, que afirmou que a campanha de Humala havia recebido três milhões de dólares da empresa.

A esposa de Humala, Nadine Heredia, é investigada por lavagem de dinheiro supostamente proveniente da Odebrecht e da Venezuela, e só pode sair do país com autorização judicial.

A Odebrecht admitiu ter pago no Peru 29 milhões de dólares de forma ilegal para ganhar licitações de 2005 a 2014, o que envolve três governos.

A trama também atinge Alejandro Toledo (2001-2006), acusado pelo Ministério Público de ter recebido 20 milhões de dólares para conceder à brasileira a construção da estrada interoceânica entre Brasil e Peru, inaugurada em 2006. Toledo nega.

Por sua vez, Alan García (2006-2011) é investigado por supostas irregularidades na concessão à Odebrecht da Linha 1 do metrô de Lima.