Peru lamenta número crescente de mortes de manifestantes e governo busca voto de confiança

Primeiro-ministro peruano, Alberto Otárola

LIMA (Reuters) - Um período de luto de três dias começou na região sul do Peru nesta terça-feira, depois que mais 17 pessoas foram mortas no dia mais violento de protestos desde que as manifestações começaram em dezembro contra a deposição do ex-presidente Pedro Castillo.

O período de luto, na região sudeste de Puno, ocorre enquanto o primeiro-ministro do país, Alberto Otárola, deve comparecer ao Congresso dominado pela oposição, buscando um voto de confiança em seu gabinete -uma exigência constitucional para liderar um novo governo.

Otárola lamentou as mortes na noite de segunda-feira e disse que a agitação foi causada por ataques organizados financiados por dinheiro sujo, em um dia em que pelo menos 68 civis e 75 policiais ficaram feridos, segundo a ouvidoria local.

Os protestos deixaram um total de 39 mortos até agora em diferentes partes do país.

As autoridades pediram aos promotores na segunda-feira que iniciem investigações contra os responsáveis.

Os manifestantes continuam exigindo a renúncia da presidente Dina Boluarte, o fechamento do Congresso, mudanças constitucionais e a libertação de Castillo.

Castillo está cumprindo 18 meses de prisão preventiva enquanto é investigado por "rebelião" após tentar fechar o Congresso, acusação que ele nega.

Imagens da mídia local mostraram saques de comércios em Puno na noite de segunda-feira e o aeroporto de Juliaca, na região, permanecia fechado nesta terça-feira.

(Reportagem de Marco Aquino)