Peru sofre com escassez de oxigênio medicinal há um mês

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Centenas de peruanos fizeram longas filas neste sábado (20) para obter oxigênio para parentes com covid-19, um bem que está em falta há um mês em meio à segunda onda da pandemia.

Em San Juan de Lurigancho, um populoso distrito da capital, mais de 200 pessoas esperavam na fila em frente a uma nova fábrica inaugurada pela paróquia de San Maros e o município de Lima, que fornece oxigênio medicinal gratuitamente, observou um fotógrafo da AFP.

O interessado deve apresentar pedido médico e cópia do documento de identidade do paciente. Na fábrica há vigilância policial, como em quase todos os postos de venda de oxigênio do país.

Os primeiros a receber uma recarga estavam na fila desde a tarde de sexta-feira e dormiram na rua.

Ao mesmo tempo, a televisão mostrou uma fila de mais de 70 veículos - entre carros, vans, caminhões, microônibus e mototáxis - na beira de uma estrada em Pisco, 234 km ao sul de Lima, esperando para comprar oxigênio.

O Canal N disse que alguns viajaram de Lima para conseguir o produto, mas também de Huancavelica (276 km) e Ayacucho (338 km).

Cada tanque contém 10 metros cúbicos de oxigênio comprimido. Em Pisco, o metro cúbico vale sete dólares.

De acordo com o governo, a demanda por oxigênio medicinal cresceu 200% no Peru com a segunda onda da covid-19, que quadruplicou as infecções e mortes em relação a dezembro.

Do lado de fora da empresa Criogás, em Callao, cidade portuária vizinha de Lima, as pessoas faziam fila por até quatro dias por uma recarga.

O dono da Criogás, José Luis Barsallo, estabeleceu rígidos controles de vendas para se livrar dos revendedores e passou a recarregar os tanques na metade para atender mais pessoas.

A mídia peruana o apelidou de "Anjo do Oxigênio" por vender a um preço mais acessível (5,5 dólares por metro cúbico).

Há uma semana, o Chile se ofereceu para doar 40 toneladas de oxigênio ao Peru. No entanto, Lima não conseguiu resolver o problema do transporte.

Com 33 milhões de habitantes, o Peru acumula 1.269.523 casos confirmados de covid-19 e 44.690 mortes, segundo balanço oficial. Só na sexta-feira, foram registradas 7.719 novas infecções e 201 mortes.

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