Peru sofre escassez de oxigênio em meio a disparada de mortes de coronavírus

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Pessoa dorme ao lado de cilindros vazios de oxigênio para guardar lugar na fila de reabastecimento em Callao, no Peru

LIMA (Reuters) - O número de mortes causadas pelo coronavírus no Peru continuou a aumentar nesta sexta-feira, e uma segunda onda persistente do vírus deixou muitos hospitais carentes de oxigênio para pacientes em estado grave, à medida que as infecções diárias continuam crescendo.

Em Lima, estendiam-se por quarteirões as longas filas de amigos e familiares em busca de conseguir os últimos cilindros de oxigênio disponíveis na capital. O preço do oxigênio triplicou em algumas regiões, segundo autoridades, uma vez que vendedores tentam abusar dos desesperados.

"Muitas pessoas já morreram, você me entende?", disse Soledad Fernández enquanto esperava em uma das poucas lojas com disponibilidade limitada de oxigênio no bairro pobre de Villa El Salvador, em Lima. Fernández disse torcer para conseguir oxigênio para salvar o irmão, que adoeceu recentemente.

Ao menos 11 hospitais de Lima --que abriga quase um terço da população do país-- sofrem com a escassez de oxigênio, disse o presidente da Federação Médica Peruana, Godofredo Talavera, em uma entrevista.

"Temos uma crise de oxigênio, e é uma infelicidade as pessoas estarem morrendo em casa ou em hospitais", disse Talavera.

A escassez levou centenas de pacientes de Covid-19 a tentarem uma transferência para a região de Ica, ao sul de Lima, onde algumas pessoas esperaram em uma rodovia para ter acesso a uma fábrica que havia se prontificado a vender oxigênio, como mostraram imagens de televisão.

Na semana passada, o governo do Peru disse que o déficit de oxigênio chegava a 110 toneladas por dia. O Chile e a Coreia do Sul ofereceram ajuda.

(Por Marco Aquino e Reuters TV)