Peru troca chefe de polícia por escândalo de compras para COVID-19

Policiais montam guarda em um mercado de Caquetá, norte de Lima, 30 de abril de 2020

A Polícia Nacional peruana tem um novo chefe, o terceiro à frente da força em dez dias, enquanto avançam as investigações de um escândalo por suposta corrupção na cúpula da instituição em compras com preços superfaturados de insumos sanitários para prevenir o coronavírus.

O nomeado foi o tenente-general Héctor Loayza Arrieta, a quem o governo promoveu para poder ocupar o posto, visto que quase toda a cúpula policial está sob suspeita nas averiguações.

"Temos que tomar decisões com prontidão e agilidade porque a situação é bastante delicada. Estamos recebendo informação que requer decisões firmes", disse o recém-empossado ministro do Interior, Gastón Rodríguez, sem dar maiores detalhes sobre a troca inesperada do chefe da Polícia.

A investigação foi lançada pelo Ministério Público no fim de abril com base em 15 denúncias sobre aquisição de máscaras, álcool, luvas e outros insumos supostamente superfaturados para distribuir entre os mais de 50.000 efetivos da instituição devido à pandemia do novo coronavírus.

Loayza substitui o tenente-general Max Iglesias Arévalo, cuja reforma foi anunciada na segunda-feira em edição especial do diário oficial, sem explicações públicas.

Iglesias ocupou a chefia da Polícia por apenas dez dias a partir de 25 de abril, quando substituiu seu colega, José Lavalle Santa Cruz, que dirigiu a Polícia por 18 meses.

Lavalle caiu em desgraça quando, surpreendentemente, renunciou naquele dia o ministro do Interior Carlos Morán, que o tinha alçado ao cargo em outubro de 2018.

O governo negou que a renúncia de Morán esteja vinculada ao escândalo de compras com preços superfaturados em meio à emergência e atribuiu a demissão a motivos pessoais.

Seu sucessor, Rodríguez, assegurou nesta terça-feira que a Polícia vai cooperar em todas as investigações.

"Meu gabinete vai fornecer o mais amplo apoio a todas as procuradorias anticorrupção que precisarem da Polícia Nacional para esclarecer fatos vinculados com ações de corrupção", disse o ministro a jornalistas.

Segundo o programa de TV Cuarto Poder, as compras foram feitas de empresas vinculadas com oficiais da força e sem experiência em saúde.

Segundo a imprensa local, o montante das aquisições supera os dois milhões de dólares.

No Peru, pelo menos 23 policiais morreram e 2.600 contraíram o vírus, segundo cifras do Ministério do Interior em 30 de abril.

O presidente Martín Vizcarra tinha exigido do ministro do Interior já uma semana que fizesse uma verificação de qualquer denúncia de corrupção relacionada com esta situação tão especial do estado de emergência.