Pesquisa aponta vitória da oposição no Japão

O principal partido de oposição no Japão deve voltar ao poder após as eleições parlamentares deste domingo, segundo pesquisas de boca de urna.

As pesquisas mostram que o Partido Liberal Democrata (PLD) deve obter uma clara maioria na câmara baixa do parlamento, após três anos de governo do Partido Democrático do Japão (PDJ), do primeiro-ministro Yoshihiko Noda. Dessa forma, o ex-premiê Shinzo Abe protagonizaria um raro retorno como líder do país. Abe será o sexto primeiro-ministro do país desde que saiu do cargo, em setembro de 2007.

Das 480 cadeiras na câmara baixa, o PLD deve ficar com até 310, das atuais 118, enquanto o PDJ deve assegurar apenas entre 55 e 77, das atuais 230, de acordo com as pesquisas. O Partido da Restauração do Japão, que tenta se estabelecer como uma alternativa viável aos dois principais partidos do país, deve ficar com até 50 cadeiras.

A vitória do PLD é vista mais como uma rejeição aos três anos de governo do PDJ do que como aprovação às políticas do PLD. Isso ficou evidente no número de cadeiras asseguradas por meio da representação proporcional, em que os eleitores votam por um partido e não por um candidato.

O baixo comparecimento também sugere pequeno entusiasmo por parte dos eleitores. Às 7h (horário de Brasília), o comparecimento era de 41,77%, ante 48,4% no mesmo horário da eleição anterior, realizada em 2009.

Abe deve formar uma coalizão com o Partido Novo Komeito, um aliado de longa data, assegurando uma maioria sólida na câmara baixa, que pode escolher o primeiro-ministro e aprovar o orçamento. Porém, os dois partidos juntos ainda ficarão sem a maioria na câmara alta, o que significa que terão de conseguir apoio de outros partidos para aprovar a maior parte das leis.

Como nenhum bloco controla ambas as câmaras do parlamento, o PLD e o PDJ já estão com as atenções voltadas para a eleição da câmara alta, prevista para o verão (no hemisfério norte). Caso o PLD não consiga obter a maioria, a paralisação política que marcou o governo do PDJ deve persistir.

Abe assumirá o governo em meio a uma desaceleração econômica e uma disputa territorial com a China. A eleição é a primeira desde o terremoto e o tsunami que devastaram o nordeste do Japão em março de 2011, deflagrando a pior crise nuclear do país.

A vitória sólida do PLD dá ao primeiro-ministro o apoio necessário para aprovar medidas como relaxamento monetário e estímulos fiscais para combater a deflação, e demonstrar uma posição mais dura nas disputas territoriais.

Abe tem dito que a deflação prolongada e o iene forte são os responsáveis pelos problemas da economia, e pediu que o Banco do Japão estabeleça uma meta de inflação de 2%, em vez da atual meta de 1%. Ele também ameaçou pedir uma revisão da lei para acabar com a independência do banco central do país.

Como uma de suas primeiras medidas, Abe poderá nomear o novo presidente do Banco do Japão, já que o mandato de Masaaki Shirakawa termina em abril. Sem a maioria na câmara alta, no entanto, Abe pode ter problemas para confirmar sua indicação.

O ex-primeiro-ministro também disse que, apesar da dívida crescente do Japão, os gastos públicos são necessários para impulsionar a economia, e que tentará aprovar um pacote extra de gastos caso retorne ao poder.

Sobre a disputa territorial com a China por um conjunto de pequenas ilhas reivindicadas pelos dois países, Abe tem uma posição mais dura que a de Noda, e propôs que o Japão mantenha autoridades nas ilhas, que atualmente estão sob seu controle.

Noda tentou mostrar Abe como um líder de oposição irresponsável, ressaltando que o país não pode arcar com mais gastos, e que uma posição beligerante agravaria ainda mais a relação com os países vizinhos.

Mas o primeiro-ministro não conseguiu reverter a sorte de seu partido. A aprovação, no começo deste ano, de um projeto de lei para dobrar o imposto sobre vendas, apesar de uma campanha em 2009 que prometia não aumentar o imposto, tornou o PDJ bastante impopular entre os eleitores. As informações são da Dow Jones.

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