Pesquisa diz que apenas 28% das crianças fazem atividade física durante a pandemia

Evelin Azevedo
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Apenas 28% das crianças praticaram algum tipo de atividade física durante a pandemia. É o que indica uma pesquisa realizada pelo C.Lab, o laboratório interno de pesquisas da Nestlé, a pedido da marca Nescau. O estudo foi feito com mais de 500 famílias brasileiras e mostrou que, antes da quarentena, 73% das crianças realizavam alguma atividade física ou esporte.

Por conta do isolamento social necessário para diminuir a transmissão da Covid-19, os pequenos deixaram de frequentar as aulas presenciais e atividades extracurriculares, onde normalmente se exercitavam.

— As atividades físicas são importantes para o desenvolvimento motor, para o crescimento e fortalecimento ósseo das crianças, além de contribuir para o desenvolvimento de habilidades importantes do seu aspecto intelectual — frisa Glaucio Monteiro, fisioterapeuta do Núcleo Silvestre de Saúde e Prevenção.

De acordo com pesquisas divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o ideal é que crianças e adolescentes realizem 1h de atividades físicas diariamente. Segundo André Messias, professor de educação física, especialista em educação e mestre em ciências cardiovasculares, os exercícios feitos regularmente geram muitos benefícios na saúde das crianças.

— Melhoria da pressão arterial, evitando que a criança fique hipertensa, controle do peso, pois sabemos que a obesidade em crianças tem crescido bastante, prevenção do diabetes, que acomete muitas crianças... Existem muitos benefícios para o sistema fisiológico, psicológico e social das crianças e adolescentes. Então, é mais do que importante estimular a prática de atividades físicas, pois uma criança ativa se tornará um adulto saudável — observou André Messias.

Pais devem ser criativos com ações em casa

Além da questão física, a quarentena causa impactos na saúde emocional das crianças. De acordo com o estudo do C.Lab, os principais sentimentos identificados nelas foram ansiedade (57%), tédio (53%), preguiça (38%) e solidão (22%).

— Temos visto no consultório muitas crianças com alterações no sono, no apetite, algumas comendo exageradamente e outras menos do que precisam. Algumas crianças estão apresentando medo, ansiedade e agressividade — lista Angelo Gagliardi Jr, pediatra e diretor médico da Clipe Clínica Pediátrica.

Os pais têm papel fundamental na mudança de comportamento dos pequenos neste período sem aulas.

— Essa é uma chance para que pais, avós e outros adultos que moram com crianças possam interagir com elas. Há uma série de atividades que podem ser feitas dentro de casa, mas elas precisam ser prazerosas — ressalta André Messias, professor de educação física.