Pesquisa eleitoral: como funciona esse show - e porque Bolsonaro devia se preocupar

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Jair Bolsonaro é costumeiro crítico das pesquisas eleitorais (Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images)
Jair Bolsonaro é costumeiro crítico das pesquisas eleitorais (Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images)

Ontem me perguntaram por que a gente fica tão vidrado em pesquisas eleitorais. Oras, porque elas fazem parte de um grande show midiático. Pesquisas são espetáculo puro. São anunciadas com pompas e circunstâncias. E fazem parte das estratégias políticas que são voltadas a viabilizar informações que possam repercutir na mídia e nas redes sociais. O silenciar não interessa numa campanha eleitoral. Menos argumentação e mais daquilo que é manifestado espetacularmente.

A última pesquisa DataFolha, esperada ansiosamente por todos, jogou uma bomba na campanha eleitoral de Jair Bolsonaro. Dezoito pontos atrás de Lula, que venceria no primeiro turno. Se somarmos a intenção de votos em todos os candidatos Lula ainda tem uma margem de cinco pontos percentuais.

Mas não esqueçamos que nessa sociedade onde o que importa é aparecer, Bolsonaro aparece muito mais negativamente. Enquanto Lula tem mantido seu tom pragmático e permanecido mais quieto do que ativo, o atual presidente todo dia é capa de algum jornal com manchete desfavorável.

Prerrogativas de quem está no poder. Mesmo assim, Bolsonaro tem oscilado apenas para cima. O que mostra que a PEC Kamikaze tem surtido efeito. A população também entendeu a mensagem de que o presidente tem feito de tudo para mudar os rumos da economia. Mas tem um ponto agravante: Bolsonaro é o presidente com pior desempenho a dois meses da eleição.

Veja como foram as últimas pesquisas eleitorais de 2022:

Insiste nos ataques às instituições, um discurso que só funciona (e como funciona) para convertidos. Mas faltando tão pouco tempo para as eleições, dezoito pontos atrás de Lula, não é hora de acordar?

A convenção do seu partido, por incrível que pareça, teve na primeira-dama Michele Bolsonaro seu ponto alto. Foi a mais honesta, pregando e mostrando o quanto sua religião importa.

Bolsonaro toda vez que tenta sair de sua pauta de costumes, como ataques às urnas, aos ministros ou ao caos e bagunça da esquerda, passa uma sensação de desconforto. É nesse ponto que o silêncio do PR mais incomoda: na sua incapacidade de ser sincero quando o assunto são mulheres, 52% do eleitorado. Ele entra na pauta mas logo volta ao que lhe interessa.

Certamente por perceber ou imaginar que a maioria das pessoas pensa diferente dele quando esse assunto vem à tona. Então, num tom absolutamente pragmático, tenta adaptar sua opinião às opiniões daqueles que imagina serem a maioria para, num discurso relutante, angariar simpatia nesse assunto que ele desconhece: a força feminina.

Afinal, se o indivíduo não é como todo mundo, se não pensa como todo mundo, corre o risco de ser eliminado. Uma tentativa de Bolsonaro de seguir no jogo. Michele pode ser um dos motivos para o fato de ter crescido seis pontos nesse setor. Certamente foi uma das figuras mais amigáveis e afáveis do evento.

Lula, no entanto, é o dono do eleitorado com até dois salários mínimos. Lula tem o nordeste debaixo de suas asas. A campanha de Bolsonaro chegou a admitir inclusive que o nordeste é dele, e tudo bem. Esquecem que cada voto importa. Ainda mais com 45% de reprovação.

Outro ponto da pesquisa é que Bolsonaro aumentou a intenção de votos entre os evangélicos. O escândalo do Ministério da educação? Já esquecemos. O que importa agora é quem vai convencer que o outro é pior do que eu.

As pesquisas podem ser questionadas pelo tamanho de sua amostragem, pela diferença que mostram entre uma e outra, mas um pouco tem se mostrado absoluto: o caminho que o presidente tem tomado certamente não é o caminho que o levará a uma vitória. As pesquisas sempre serão vistas positivamente pelos que estão na dianteira e cabo eleitoral contra os que perdem nas intenções de voto. É o jogo.

Teremos 45 dias de campanha eleitoral. Um tempo curto para decidir quatro anos de um futuro governo que terá a responsabilidade de superar pelo menos oito anos de crise política. Que as nossas convicções não se percam no espetáculo eleitoral que vem por aí. Nem sempre o que aparece é bom.

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