Pesquisa em ato contra Bolsonaro mostra que 43% preferem que esquerda e direita não se juntem nas ruas

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Com predominância de partidos de esquerda, a manifestação contra o governo Jair Bolsonaro em São Paulo neste sábado apresentou maior resistência a uma frente ampla pelo impeachment do que o detectado no último ato da oposição, no dia 12, organizado pelo MBL e por lideranças da chamada terceira via. A conclusão aparece numa pesquisa conduzida pelos professores Pablo Ortellado e Márcia Moretto, da USP, que apontou que 43% dos manifestantes que foram à Avenida Paulista neste fim de semana preferem que esquerda e direita façam manifestações separadas contra Bolsonaro. Já no ato do dia 12, que ficaram mais esvaziados devido à menor adesão de partidos de esquerda, 78% defendiam manifestações conjuntas.

A pesquisa, que ouviu 662 manifestantes na tarde deste sábado em São Paulo e tem margem de erro de quatro pontos, mostra que, apesar da resistência à união nas ruas, 66% concordam que para o impeachment de Bolsonaro seria necessária uma ampla aliança que vá da esquerda à direita. Na manifestação convocada pelo MBL em setembro, 85% concordavam com esta afirmação.

— Na manifestação do MBL, também havia uma resistência grande a alianças, basta lembrar que 38% diziam não aceitar a presença do PT. Esse protesto de sábado, por outro lado, se mostrou menos diverso, com uma presença mais maciça da esquerda, e com uma intolerância maior. Os números mostram o tamanho do impasse na construção de uma frente ampla para enfrentar Bolsonaro — afirmou Ortellado.

O pesquisador observou que, no levantamento realizado neste sábado, 71% dos entrevistados disseram que não participariam de manifestações com o MBL. Além disso, 24% afirmaram rejeitar a presença do PDT, sigla do presidenciável Ciro Gomes, que foi vaiado durante seu discurso na Avenida Paulista e teve seu veículo atingido por pedaços de pau atirados por militantes petistas.

Entre os manifestantes que foram à Avenida Paulista neste fim de semana, 78% declararam que pretendem votar no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — o que, na avaliação de Ortellado, corrobora os indícios de que foi uma manifestação com predominância da esquerda. Segundo a pesquisa, nove em cada dez manifestantes se declararam de esquerda ou centro-esquerda.

— Como Lula é hoje o grande nome da esquerda para a eleição presidencial, é natural que a preferência dos manifestantes estivesse concentrada nele. Foi uma manifestação com presença de público muito maior em relação à convocada pelo MBL, mas também muito menos diversa. No protesto do dia 12, havia uma divisão mais equilibrada de posicionamento político (37% se disseram de esquerda ou centro-esquerda, e 34% se classificaram como direita ou centro-direita) — afirmou.

Mais de 90% dos entrevistados afirmaram concordar com o uso de máscaras obrigatório na pandemia da Covid-19 e com restrições em locais como restaurantes a pessoas que não tomaram vacina. O público na Avenida Paulista, de acordo com a pesquisa, era majoritariamente jovem — 69% tinham menos de 45 anos, número semelhante ao do protesto do MBL —, e 80% tinham ensino Superior completo ou incompleto.

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