Pesquisa em MG foi barrada por inconsistências, não por dar vantagem a Bolsonaro

Novo modelo de urna eletrônica que será usado nas eleições de 2022 é exibida no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, em 5 de agosto de 2022 (Foto: Douglas Magno / AFP)
Novo modelo de urna eletrônica que será usado nas eleições de 2022 é exibida no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, em 5 de agosto de 2022 (Foto: Douglas Magno / AFP)
  • Após TSE suspender pesquisa em MG que apontou vantagem de Bolsonaro no segundo turno, usuários questionam a decisão

  • Segundo publicações, a decisão teria sido motivada pela vantagem do ex-presidente

  • Contudo, a decisão levou em conta inconsistências na metodologia do levantamento

Apoiadores do presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) questionam nas redes sociais a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de suspender a uma pesquisa da ModalMais/Futura. O levantamento apontou uma vantagem do presidente em relação ao candidato e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. O ministro Raul Araújo ordenou a suspensão da pesquisa na última quarta-feira (31).

A decisão, porém, levou em conta inconsistências na metodologia do levantamento. O registro havia sido feito para os cargos de Governador e Senador em Minas Gerais, no entanto, havia referências a São Paulo e Rio de Janeiro no questionário aplicado.

Captura de tela de uma publicação questiona decisão do TSE de suspender pesquisa eleitoral em MG que apontou vantagem de Bolsonaro no segundo turno (Foto: Twitter / Reprodução)
Captura de tela de uma publicação questiona decisão do TSE de suspender pesquisa eleitoral em MG que apontou vantagem de Bolsonaro no segundo turno (Foto: Twitter / Reprodução)

A pesquisa havia sido registrada no sistema do TSE sob o número MG-09198/2022. Na plataforma, é possível ver que o levantamento deveria ser direcionado aos cargos de governador e senador em Minas Gerais.

Contudo, no questionário anexado pela empresa, há referências a outros estados e cargos.

No início do documento, a pesquisa é descrita como "uma pesquisa sobre assuntos políticos de São Paulo". Ao longo das perguntas não há questionamentos sobre São Paulo nem Minas Gerais. Há, na verdade, questões sobre a intenção de voto para o Senado e o Governo Rio de Janeiro, assim como para Presidente da República.

Reportagens sobre a decisão do ministro Raul Araújo (1, 2) explicam que o magistrado aponta a incoerência e a desconformidade com o registro como motivos para a suspensão da pesquisa.

Pesquisas eleitorais, como saber em quais posso confiar?

Em meio a essa diversidade de levantamentos existentes no Brasil, muitos eleitores não sabem em quais resultados acreditar.

No primeiro dia do ano passou a ser obrigatório (leia a resolução clicando aqui)o registro junto à Justiça Eleitoral de qualquer pesquisa pública relacionada às eleições para presidente e governador. Porém, se uma pesquisa está registrada não necessariamente significa que ela será confiável, isso porque não há nenhum tipo de fiscalização prévia sobre a metodologia desses levantamentos.

Atualmente, a confiabilidade das pesquisas é garantida no Brasil por meio da transparência. São algumas das informações que devem ser cadastradas junto à Justiça Eleitoral, tornando as pesquisas passíveis de contestação, caso qualquer irregularidade seja encontrada posteriormente:

  • Nome do contratante

  • Valor cobrado pela pesquisa

  • Origem dos recursos investidos

  • Metodologia

  • Período de realização

  • Sistema de fiscalização da coleta de dados

  • Tipo de questionário aplicado

Para identificar os atributos que mais merecem atenção nas pesquisas eleitorais, a reportagem do Yahoo! Notícias conversou com alguns especialistas no assunto e separou uma lista com os pontos mais importantes, confira aqui.

Veja as últimas pesquisas eleitorais para presidente: