Pesquisa do governo mostra que em apenas 6,6% das escolas públicas alunos receberam acesso grátis à internet em casa

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BRASÍLIA— Uma pesquisa feita pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), divulgada nesta quinta-feira, aponta que, de 126.661 escolas públicas, apenas 6,6% relataram que foi disponibilizado aos alunos acesso gratuito ou subsidiado à internet durante os meses de pandemia no ano passado.

O levantamento feito pelo Inep analisou as ações implementadas em meio à pandemia por escolas Públicas e Privadas por meio de um questionário aplicado em 168.739 escolas, o que corresponde a 94% do total. A maior dificuldade ao acesso à internet foi identificada na rede municipal, onde apenas 2% afirmaram que os estudantes tiveram acesso gratuito ou subsidiado à internet em casa. Na rede estadual, o índice foi de 21,2%. Entre as escolas federais, o percentual foi 82,5%.

Na última terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar barrar uma lei aprovada no Congresso que determina que a União garanta internet a alunos e professores de escolas públicas. A legislação prevê que sejam repassados R$ 3,5 bilhões do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) a estados e municípios para o fornecimento de internet. Nesta quarta-feira, O GLOBO mostrou que um relatório feito pela Comissão Externa de Acompanhamento do Ministério da Educação na Câmara (Comex/MEC) acusou a pasta de não oferecer soluções suficientes para a falta de conectividade dos alunos.

O relatório mostra ainda que o Brasil teve em média 279 dias de suspensão de aulas presenciais no ano letivo de 2020. O índice é superior a outros 12 países citados no relatório, como Índia, com média de 235 dias, e os vizinhos Chile e Argentina, ambos com 199 dias. Segundo os dados, 90,1% das escolas não retornaram às atividades presenciais em 2020. Nesse tempo, os alunos estudaram, principalmente, por meio de materiais impressos.

Em 2.346 municípios dos país, quase a metade, as escolas não realizaram nenhuma aula ao vivo pela internet, quando é possível que o aluno consiga interagir com o professor em tempo-real para tirar dúvidas. A utilização de materiais impressos foi citada por 94,2% das escolas públicas.

A pesquisa deixa claro outro problema durante a pandemia: a falta de formação dos professores para utilização de ferramentas de ensino à distância. De acordo com o estudo do Inep, 40,4% das escolas públicas não ofereceram treinamento aos professores para metodologias e materiais específicos a serem usados no ensino remoto. O cenário mais grave é identificado nas escolas municipais, onde 46,3% das instituições não orientaram os professores. Na rede estadual apenas 20,1% estavam nesse grupo; e, na rede federal, 5,9%.

A infraestrutura disponível para o retorno às aulas também foi questionada pelo Inep. Nesse ponto, 44,9% das escolas públicas pesquisadas relataram não terem adequado ou ampliado a estrutura da escola para a volta às aulas por meio de, por exemplo, instalação de pias, construção de novas salas de aula para garantir o distanciamento, e aumento da ventilação.

Relatório da Câmara, divulgado na quarta-feira, mostrou que até junho o MEC não havia gastado um centavo do R$1,2 bilhão disponível para infraestrutura da educação básica. O montante poderia ter sido usado para efetuar esse tipo de reforma nas unidades e reduzir a disseminação do coronavírus na volta às aulas.

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