Pesquisa indica que pandemia pode transformar Redações

NELSON DE SÁ
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um levantamento junto a 136 editores e outros executivos de jornalismo de 38 países, sobre o impacto da pandemia, mostra que perto de metade (48%) planeja agora reduzir o tamanho de suas instalações físicas. Para 55%, o trabalho remoto deixou as organizações mais eficientes. Mas 77% avaliam que ele tornou mais difícil construir e manter relações. A pesquisa foi realizada de 21 de setembro a 7 de outubro pelo Instituto Reuters, ouvindo editores-chefes, um terço do total, CEOs, editores digitais e outros -a maior parte de países como EUA e Alemanha, mas também alguma representação de, por exemplo, Brasil e Argentina. Sobre a redução das instalações físicas, o relatório que acompanha a pesquisa prevê que "não será o fim das Redações, mas uma mudança acelerada para Redações híbridas", parte no trabalho e parte em casa. O Instituto Reuters destaca observação enviada pelo diretor-geral do serviço estatal France Info, Vincent Giret, para quem "jornalistas precisam de proximidade física para debater ideias, compartilhar experiências e para inovar". Para os autores do estudo, a pesquisa indicou que o trabalho remoto tem "consequências não só num nível operacional, mas também no aspecto mais intangível -e crucial- de moldar a cultura da Redação". Sobre a composição das equipes, a pesquisa ouviu de 42% que a prioridade para o próximo ano será alcançar maior diversidade étnica, com outros 18% citando que vão dar mais atenção à diversidade de gênero. O relatório avalia que isso reflete os protestos do movimento Black Lives Matter, após a morte de George Floyd pela polícia, em maio, quando "aumentou o escrutínio público das Redações relativamente monocromáticas". "Embora muitos entrevistados (84%) digam que sua organização faz um bom trabalho em diversidade nos níveis iniciais", acrescenta, "só uma minoria (37%) acha que o mesmo acontece no nível de liderança".