Pesquisa mostra tendência a reviravolta inédita no comando de SP

Brazil's Sao Paulo state governor Joao Doria and vice-governor Rodrigo Garcia raise hands at Palacio dos Bandeirantes, the seat of the Sao Paulo State Government in Sao Paulo, Brazil March 31, 2022. REUTERS/Amanda Perobelli
O ex-governador João Doria com o candidato à reeleição Rodrigo Garcia, em evento realizado em março de 2022. Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Ex-prefeito de São Paulo e ex-candidato a presidente, Fernando Haddad (PT) largou na frente na corrida pelo governo paulista. O desempenho até então era atribuído ao recall das últimas campanhas: mais do que favorito, ele era o candidato mais conhecido dos eleitores.

A largada oficial da disputa não alterou, até aqui, a sua vantagem. Pelo contrário, Haddad oscilou três pontos para cima na última pesquisa Ipec, divulgada na terça-feira (30). Tinha 29% das intenções de voto no dia 15 e agora tem 32%. A margem de erro é de três pontos percentuais.

A surpresa da pesquisa é que, até o momento, o atual governador Rodrigo Garcia, do PSDB, não decolou. Apesar do aumento da exposição e de ter largado com a máquina do estado em mãos, o candidato à reeleição soma hoje 10% das preferências, um ponto acima do registrado no penúltimo levantamento.

Sua maior ameaça é Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato de Jair Bolsonaro (PL) no estado. Em 15 dias, o ex-ministro da Infraestrutura saltou de 16% para 20%.

Pelo recorte, tudo indica que o bolsonarismo é hoje a maior ameaça ao domínio tucano em São Paulo. E que a eleição em São Paulo deve repetir a disputa já desenhada no plano nacional entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL).

Veja como foram as últimas pesquisas eleitorais de 2022:

O PSDB não sabe o que é perder uma eleição para governador no maior e mais rico estado do país desde 1994, quando elegeu Mário Covas. Desde então tem empilhado troféus com Geraldo Alckmin, José Serra e, por último, João Doria.

Doria deixou o posto para disputar a Presidência. Ficou na pré-campanha.

Garcia esquentou o banco de governador enquanto o titular tentava se projetar nacionalmente.

Quando Doria percebeu o erro, era tarde. Como se diz no interior paulista, quem foi para a roça perdeu a carroça.

Garcia assumiu a missão ao trocar o DEM pelo PSDB. Encontrou no ninho tucano uma legenda rachada e sob alta rejeição e desconfiança deixada pelo ex-governador. O histórico recente de tucanos que deixaram a prefeitura ou o governo do estado para tentar voos mais altos parece ter mandado a conta.

Com Lula e Bolsonaro, Haddad e Tarcísio mostraram na propaganda da TV que têm padrinhos fortes, embora com alta rejeição no estado, para chamar de seus. O atual governador, não.

O petista segue favorito no berço do PT e também do antipetismo. Registra uma margem seguida de distância em relação aos concorrentes, mas tem teto baixo para decidir a parada já em 2 de outubro.

Nas projeções de segundo turno, ele bateria tanto Tarcísio de Freitas (por 47% contra 31%) quanto Rodrigo Garcia (por 45% a 29%).

O atual governador empata, na margem de erro, com o adversário bolsonarista em um eventual segundo turno (31% a 28% a favor do ex-ministro).

A não ser que os próximos dias registrem uma reviravolta, o PT está finalmente muito perto de emplacar em São Paulo um candidato a governador no segundo turno após 20 anos. Em 2002, na esteira da eleição de Lula a presidente, José Genoino disputou, e perdeu, para o hoje candidato a vice-presidente na chapa petista Geraldo Alckmin, então no PSDB.

Aloizio Mercadante (duas vezes), Alexandre Padilha e Luiz Marinho não conseguiram repetir o feito.

Se confirmadas as projeções, os tucanos nunca estiveram tão forte de perder o seu enclave paulista – e, com ele, a base de um partido que chegou às “finais” de todas as eleições presidenciais desde 1994 e que hoje, solapado pelo bolsonarismo e sem candidato próprio ao Planalto, corre a galope em direção à irrelevância.