Pesquisa mostra cansaço de europeus com a Guerra da Ucrânia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os europeus são mais favoráveis a um acordo de paz que encerre a Guerra da Ucrânia mesmo que com concessões de Kiev do que buscar a punição da agressão da Rússia a qualquer custo. Também são contrários ao aumento do gasto militar devido à crise e colocam o medo da inflação no topo de suas preocupações.

Esses são alguns dos achados de uma nova pesquisa, feita com 8.000 pessoas em dez países que concentram 54% da população do continente. Ela foi divulgada nesta quarta (15) pelo Conselho Europeu de Relações Exteriores, um centro multinacional fundado em 2007, e tem margem de erro de três a quatro pontos para mais ou menos.

O levantamento sugere aquilo que a ministra alemã das Relações Exteriores, Annalena Baerbock, chamou de fadiga europeia com o conflito iniciado em 24 de fevereiro por Vladimir Putin. Falando ao Fórum Econômico Munidal de Davos no fim de maio, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, alertou que "nossa missão é não deixar o mundo cansar da guerra".

Não está dando muito certo. Enquanto todos se dizem favoráveis ao fim do conflito, 35% dizem preferir que isso ocorra mesmo que a Ucrânia tenha de ceder. O centro chamou esse grupo de "campo da paz".

Já 22% dizem querer Putin pagando a conta pela guerra. É o chamado "campo da justiça". Outros 20% são considerados volúveis em sua opinião e 23%, ou não se importam ou não têm opinião --número bem expressivo dado o impacto da guerra no cotidiano.

Ele pode ser medido no principal temor registrado nos países com a guerra: que haja aumento no custo de vida devido aos preços já majorados de energia e alimentos, insumos objetos de sanções contra importações russas e bloqueio de escoamento da Ucrânia, respectivamente.

Segundo a pesquisa, 61% dos europeus temem isso, número igual a uma rediviva ameaça que a guerra trouxe: de que a Rússia use armas nucleares no conflito. Já o temor de que Putin invada seu território soma 42%.

Também reclamam que seus governos dão mais atenção à guerra do que a problemas internos 42% dos ouvidos, ante 36% que veem atenção adequada.

A cesta de países em que a pesquisa foi feita, em maio, ajuda a entender as divisões. Primeiro, há o grupo de nações centrais e populosas: Alemanha, Reino Unido, França e Itália. Depois, dois países usualmente afastados da questão russa, Portugal e Espanha.

Além deles, duas nações na linha de frente do Leste Europeu, Polônia e Romênia, e duas candidatas a entrar na Otan (aliança militar ocidental) devido à guerra, Finlândia e Suécia.

Como seria previsível, a belicista Polônia concentra uma atitude mais agressiva ante Moscou. Ela tem o maior "campo da justiça", 41%, enquanto apenas 16% postulam a paz a qualquer preço. Lá também há o maior apoio a um incremento no gasto militar visando dissuadir Putin de agir contra si: 52% são a favor, enquanto 21% são contra.

No cômputo geral, os europeus se dividem com um empate técnico no limite da margem de erro: 38% contra e 32%, a favor de mais armamentos. Os suecos seguem os poloneses, com 50% pró-gasto.

A percepção de que a Alemanha, cujo governo tentou ao máximo postergar o embargo à importação de petróleo russo e que até aqui conseguiu evitar a medida contra o gás do rival, é uma nação apaziguadora não é tão correta.

É verdade que 49% dos alemães são "da paz", nos termos da pesquisa, mas 41% apoiam os R$ 530 bilhões em gastos militares extras já anunciados. Também acreditam que a prioridade deva ser a redução na dependência energética de Moscou (52%, ante um total de 58% no geral), em detrimento à prioridade à busca de energias renováveis (30%) --isso num país associado ao ambientalismo.

Saem como "falcões" continentais, além dos poloneses mas nem tanto os romenos, os italianos. É na Itália que se encontra o maior grupo do "campo da paz" (52%), a maior rejeição a gastos militares devido à guerra (63%) e a uma das principais críticas à atenção execessiva do governo com o assunto (48%) --curiosamente, neste último item a principal queixa é dos países do leste (Romênia, 58%, e Polônia, 52%).

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