Pesquisa mostra quantos eleitores não gostam de Moro 'de jeito nenhum' e em quais regiões a rejeição é maior

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Após idas e vindas até Sergio Moro (União Brasil-PR) oficialmente decidir a qual cargo e por qual estado disputará as eleições deste ano, uma realidade fica evidente: sua alta rejeição. De acordo com a edição mais recente da pesquisa “A cara da democracia”, os grupos que dizem não gostar de Moro compõem mais da metade da população.

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A pesquisa anual do Instituto da Democracia (IDDC/INCT), que este ano foi às ruas em junho, incluiu aos entrevistados uma questão sobre qual a avaliação de Moro, feita em uma escala de 1 (“não gosta de jeito nenhum”) a 10 (“gosta muito”). Os que responderam 1 foram 41%, enquanto os que escolheram 10 chegam a 4%.

Considerando somente a soma de pessoas que se colocaram entre 1, 2 e 3 – faixa na qual a rejeição é mais pronunciada –, são 58% dos entrevistados. Do outro lado, a faixa de 8, 9 e 10 (com aprovação mais alta) tem 10% somados. Em um recorte da pesquisa por regiões que foi analisado pelo Pulso, o 1 também aparece como a opção mais escolhida entretodas.

Números sugerem dificuldades para disputas majoritárias

Símbolo máximo do lavajatismo, o ex-juiz federal e ex-ministro da Justiça mudou várias vezes de planos até enfim chegar à decisão – até agora – definitiva. Começou tentando concorrer à Presidência pelo Podemos, antes de trocar de surpresa sua filiação para o União Brasil. Rejeitado pela ala bolsonarista do novo partido e tendo pouca articulação política, focou em possibilidades como as de tentar o Senado e a Câmara – como puxador de votos – por São Paulo, até ter sua mudança de domicílio eleitoral vetada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo sob a justificativa de que ele não tinha vínculos com o estado. Sua mulher, Rosângela Moro, confirmou que vai se candidatar a deputada federal por SP.

Desde a “volta forçada” ao seu nativo Paraná, Moro ventilou possibilidades de disputar o Senado e até o governo do estado, ainda que sempre esbarrando em pesquisas que indicariam rejeição ou que as competições aos cargos majoritários seriam muito acirradas.

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Nacionalmente, Moro já tinha viabilidade eleitoral questionada por sofrer com altas rejeições, especialmente em Sudeste e Nordeste — regiões nas quais tem aproximadamente 60% de reprovação quando somadas as faixas 1, 2 e 3 da pesquisa. Porém, mesmo no Sul, ele acumula rejeição alta: 49%, segundo a pesquisa. Se for considerado apenas o número 1 da escala, segundo o qual o entrevistado diz não gostar de Moro "de jeito nenhum", o número no Sul é de 32%. Enquanto isso, consegue apenas 13% de apoio mais enfático na região, se somadas as faixas 8, 9 e 10 (só 6% responderam “gosto muito”). No Norte, os que escolheram o número 1 na escala (não gosta de jeito nenhum) somam 40%.

— A alta rejeição a Moro acaba sendo natural pelas circunstâncias dentro de uma competição política. Isto já ocorria enquanto ministro e inclusive enquanto juiz, mas ele acumulou uma rejeição que não só não reduziu, como ainda agregou a reprovação também dos próprios bolsonaristas. Tudo ficou muito mais intenso quando Moro efetivamente descola de um discurso que ele mesmo criou de que não disputaria eleições, criando as próprias incoerências e acabando por impactar na própria ambição política de concorrer neste ano — analisa a cientista política Luciana Santana, professora da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) que integra o Observatório das Eleições em parceria com o Instituto da Democracia (INCT/IDDC), órgão que conduz a pesquisa anual.

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Segundo Luciana Santana, a viabilidade eleitoral de Moro diante da realidade de alta rejeição dependerá de suas escolhas políticas. Principalmente porque, em uma candidatura a deputado federal, suas chances se tornariam muito maiores do que em uma eleição majoritária (por exemplo, para senador ou governador). Ainda mais em um cenário contencioso como o do Paraná, onde rivalizaria com seu ex-padrinho político, o senador Álvaro Dias (Podemos), em uma disputa ao Senado.

— Existe um nicho anti-Lula e anti-Bolsonaro, focado em discursos anticorrupção, que vai concentrar voto em Moro e que pode fazê-lo ser bem-sucedido eleitoralmente. Disputar um cargo majoritário traz muito mais dificuldades, porque ele precisaria de uma concertação de forças muito maior para aumentar a quantidade de votos. É muito mais difícil — avalia a professora. — Se eu tivesse que dar um conselho a Moro caso ele insista em concorrer, seria o de tentar a Câmara. Ele poderia ter mais êxito na construção de uma carreira política.

A pesquisa “A cara da democracia” foi feita pelo Instituto da Democracia (INCT/IDDC), com 2.538 entrevistas presenciais em 201 cidades. A margem desu erro total é de 1,9 ponto percentual a nível nacional, e o índice de confiança é de 95%. A pesquisa reúne as universidades UFMG, Unicamp, UnB e Uerj, com financiamento de CNPq e Fapemig, e está registrada no TSE (BR-08051/2022).

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