Pesquisa mostra que 29,9% dos moradores da capital paulista têm anticorpos contra o coronavírus

Cleide Carvalho
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Chega a 29,9% o percentual de moradores da cidade de São Paulo que já tiveram contato com o novo coronavírus e possuem anticorpos. Isso significa que cerca de 2,5 milhões dos adultos do município já foram infectados.

Os dados são da quinta pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, Grupo Fleury, Instituto Semeia e Todos pela Saúde, divulgada nesta sexta-feira. Em relação ao estudo anterior, realizado em outubro do ano passado, houve um aumento de 300 mil pessoas acima de 18 anos com anticorpos - eram 2,2 milhões de pessoas, ou 26,2% da população.

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Houve aumento significativo de infecção entre os mais jovens. Na faixa etária entre 18 e 34 anos, o percentual é de 33%. Em outubro passado, a prevalência de anticorpos neste grupo da população era de 24,7%

Também aumentou a presença de anticorpos entre os que têm entre 35 e 44 anos: de30,2% em outubro para 36,3% nesta quinta fase do levantamento. Os idosos, grupo mais suscetível a complicações da Covid-19, o percentual é de 19,9%.

Não há também estudos detalhados sobre por quanto tempo uma pessoa infectada mantém anticorpos contra a Covid-19, mas o biólogo Fernando Reinach, responsável pelo estudo, ressalta que é essencial neste momento que todos sejam vacinados, independentemente de terem ou não já tido contato com o vírus.

— Qualquer quantidade de anticorpo é melhor do que nenhuma, mas a vacinação é essencial - diz Reinach.

A pesquisa mostra ainda que a infecção pelo coronavírus segue heterogênea na capital paulista. O percentual de soropositivos é maior nos distritos mais pobres, entre as pessoas com menor renda, os que se declaram pretos e pardos e os que têm menor grau de instrução.

Entre as pessoas com renda até R$ 2.200, o percentual dos que têm anticorpos chega a36,4%. É uma taxa semelhante à de 37,8%, identificada entre os que se declaram pretos e pardos. Para os que se declaram brancos, o percentual é bem menor, de 23,2%. Na faixa de renda superior, o percentual de infectados é de 22,8%.

Enquanto nos distritos mais pobres da cidade a taxa de prevalência é de 36,4%, nos mais ricos é de apenas 22,8%.

Existe ainda diferenças significativa de exposição ao vírus de acordo com o nível de instrução: entre os que têm até o Ensino Fundamental, a taxa é de 33,8%, semelhante à de 32,4% dos que têm o Ensino Médio. Entre os com nível superior, o percentual é de apenas 19,6%.

A pesquisa foi feita entre os dias 14 a 23 de janeiro passado e coincide com o período em que foi iniciada a vacinação contra o coronavírus. Foram coletadas amostras sorológicas de 1.194 pessoas em 149 setores censitários da cidade - em cada setor, oito residências foram sorteadas.