Pesquisa mostra que 84% das jovens editam foto antes de postar nas redes sociais

Evelin Azevedo
·3 minuto de leitura

O uso de aplicativos de retoque de imagem ou filtros nas redes sociais para esconder “imperfeições” é mais comum do que se imagina entre as meninas mais novas. Uma pesquisa feita pelo Projeto Dove pela Autoestima mostra que 84% das jovens brasileiras com 13 anos já usaram algum tipo de recurso tecnológico para mudar sua imagem em suas fotos.

Além disso, 78% delas tentam mudar ou ocultar pelo menos uma parte ou característica de seu corpo que não gostam antes de postar uma foto de si mesmas das redes sociais.

— As meninas e as mulheres, hoje, acreditam em um padrão de beleza e deixam de valorizar e considerar as diferenças. Temos biotipos, descendentes diferentes e nunca seremos iguais e padronizados. Os filtros criam uma ideia de que todos vão ser iguais, ter a “mesma cara”, o que não é real. É importante lembrar que cada um tem sua realidade e sua história, e isso não pode ser padronizado. Seremos bonitas e valorizadas dentro dos nossos próprios padrões — diz a psicóloga Fabiane de Faria, idealizadora da plataforma Aterapia.

A pesquisa foi feita em dezembro de 2020 e revela o impacto do uso de redes sociais e filtros na autoestima de meninas entre 10 e 17 anos nos Estados Unidos, na Inglaterra e no Brasil. No país, a pesquisa foi conduzida pela Edelman Data & Intelligence, uma consultoria global e multidisciplinar de pesquisa, análise e dados, com 503 meninas de 10 a 17 anos e 1.010 mulheres de 18 a 55 anos.

Postagem em troca de validação social

Por tentar seguir os padrões de beleza estabelecidos pela sociedade, meninas e mulheres de diferentes idades praticam uma “autodistorção digital” da aparência, afirmam especialistas. No estudo, 89% das jovens relatam que compartilham selfies na esperança de receber validação de outras pessoas. Além disso, a comparação virtual traz grandes prejuízos para a autoestima: 35% das jovens brasileiras dizem se sentirem “menos bonitas” ao verem fotos de influenciadores/celebridades nas redes sociais.

— Isso é muito preocupante, porque é na adolescência que definimos como queremos ser, o que queremos realizar. Por isso, os adolescentes estão sempre vulneráveis, abertos e flexíveis nesta fase. Este deve ser um período de acompanhamento e orientação por parte de pais e educadores. Não devemos nos basear na avaliação do outro. Pois não existe um padrão único como muitas jovens pensam — diz Fabiane.

Preocupação excessiva com a imagem

Dados da pesquisa apontam, também, que quanto mais tempo as meninas passam editando suas fotos, mais elas relatam baixa autoestima corporal: 60% das que passam de dez a 30 minutos editando as imagens dizem ter baixa autoestima. O estudo retrata que as meninas que distorcem suas fotos são mais propensas a ter baixa autoestima corporal (50%) em comparação com aquelas que não distorcem suas imagens (9%).

— A preocupação excessiva com a imagem se reflete diretamente na autoestima da mulher, pois gera uma cobrança de que ela se encaixe em um padrão que muitas vezes não condiz com sua realidade. Devido a isso, a mulher pode ter sua saúde mental afetada de muitas formas, podendo até desenvolver transtorno dismórfico, ansiedade, angústia, transtornos alimentares, como bulimia, anorexia ou compulsão alimentar — explica Bettina Correa, psicóloga do Grupo de Telemedicina Iron.