Pesquisa revela que 50% dos brasileiros já adotaram algum hábito de saúde com base em informações que não vieram de profissionais

·3 min de leitura

SÃO PAULO — Desde o início da pandemia houve um grande aumento do interesse e compartilhamento de informações sobre saúde no Brasil. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos, a pedido da Sanofi Genzym, revelou quais fontes os brasileiros usam quando querem buscar informações sobre saúde. Os resultados, obtidos com exclusividade pelo GLOBO, mostram que a internet está praticamente empatada comos médicos em primeiro lugar. Enquanto os profissionais da saúde são uma boa fonte para o tema, esse não é o caso da internet, em especial em tempos de fake news.

Para o médico e diretor de comunicação da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), Angelo Maiolino, que também é professor de hematologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a pesquisa comprova o que já é visto há alguns anos nos consultórios.

— As pessoas procuram informações na internet antes mesmo de uma consulta médica. É frequente os pacientes chegarem ao consultório com hipóteses diagnósticas. Ás vezes, chegam até com propostas de tratamento, incluindo tratamentos alternativos — relata o médico.

Hábito perigoso

Foi revelado também que 50% das pessoas já adotaram algum hábito de saúde ou tratamento com base em informações que não vieram de profissionais, o que pode representar um problema grave.

— Adotar algum tipo de cuidado com a saúde baseado em uma informação de uma fonte que não seja qualificada, que passou pelo crivo do profssional de saúde, pode sim implicar um risco — alerta Maiolino. De acordo com o médico, é comum pacientes que estão em tratamento para câncer hematológico buscarem na internet ou em aplicativos de mensagem informações sobre tratamentos sem eficácia ou ditos naturais, como chás etc. Muitas vezes, esses tratamentos sao inócuos, mas há casos em que isso pode interfetir na medicação.

— É importante que qualquer pessoa, mas principalmente aquelas que já estão em algum tratamento, conversar com o médico sobre a possibilidade de tratamentos alternativos, em vez de tomar por conta própria — ressalta o diretor de comunicação da ABHH.

De acordo com o levantamento, que entrevistou 1.500 pessoas, de todas as regiões do país, as principais fontes de informações sobre saúde dos brasileiros são os médicos (55%) e a internet (54%). Como a questão permitia múltiplas escolhas, em seguida estão: televisão (48%), Ministério da Saúde (43%), redes sociais (36%), Organização Mundial da Saúde (36%), jornal (34%), amigos e familiares (33%), sites/redes sociais de ONGs (25%) e aplicativos de mensagens instantâneas (15%).

Confiança na informação

Apesar de figurar no topo das fontes de informação sobre saúde, no ranking de nível de confiança do público, a internet ficou em oitavo lugar, atrás apenas dos aplicativos de mensagens instantâneas e das redes sociais, os dois últimos colocados. Por outro lado, os órgãos de saúde oficiais como Ministério da Saúde (MS) e Organização Mundial da Saúde (OMS) e profissionais de saúde ocupam as três primeiras posições da pesquisa. Em seguida estão os jornais (65%), sites/redes sociais de ONGs (64%), televisão (60%) e amigos e familiares (55%).

— A maioria das pessosa confia em fontes de autoridades, mas na prática, faz o modo inverso e se informa por meio da internet e das mídias sociais. A questão é a qualidade da informação porque, em muitos casos, ela não é adequada — diz Maiolino.

Checar antes de compartilhar

Os participantes também foram questionados sobre a checagem da veracidade do conteúdo que recebem sobre saúde. Felizmente, a maioria das pessoas (63%) respondeu que sim, 32% que às vezes e apenas 5% disseram que não checam. Para fazer essa checagem, a maioria (62%) disse procurar algum profissional de saúde, 49% pesquisam em sites de busca, 45% em sites com conteúdo sobre saúde ou de fabricantes de medicamento, 37% consultam o site do Ministério da Saúde, 36% pesquisam em sites que verificam se notícias são verdadeiras ou não, 23% perguntam para amigos ou familiares e 20% acompanham sites/redes sociais de ONGs.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos